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sábado, 21 de novembro de 2009

MADAME NORA: RUNAS E TAROT

Exercício coletivo

- Você prefere o jogo de uma ou três runas?
- Como assim?
- Se quiser jogar com três runas, teremos respostas para seu passado, presente e futuro

Não sabia bem se queria mesmo saber do futuro. Do passado não queria lembrar. E o presente era vivo demais. Mas resolveu:

- Vai mesmo o jogo com três...

A mulher deu inicio ao jogo. A ansiedade começou a tomar conta daquele homem. Viera depois de muitas hesitações e jurara jamais contar a ninguém sobre sua visita a uma vidente...

Pensou, isso é coisa de mulher. E por segundos quis ordenar a paragem do tempo e a leitura do futuro. Tarde demais, a primeira runa já estava sobre a mesa. Seguiram-se mais duas. A expressão daquela mulher correspondia às inscrições das pedras: era enigmática...

Continuava arrependido e relutante. Não sabia se deveria manter a postura cética ou ter nuances de esperança e tentar adivinhar as expressões no rosto daquela enigmática mulher.

A vidente ficou alguns instantes quieta, apreensiva, olhou-o nos olhos e disse preocupada:

- Sei não...
- O que?

- Posso falar? Estou vendo que algo de muito estranho vai acontecer. Tome muito cuidado com sua saúde.,

Não teve ouvidos para escutar mais nada. Uma dor aguda no peito, os olhos turvos, o corpo desabando pesado no chão. A uútima visão era a da esposa, excitada...

- Marquei uma hora pra você com Madame Nora. Você vai gostar das previsões dela...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

COMEMORAÇÃO

Exercício coletivo

- Então, você vem ou não vem? Do outro lado da linha, uma pausa indefinida no tempo. Fiquei sem graça de perguntar mais uma vez e aguardei a resposta.
- Vou sim, pode me aguardar. E mantenha uma garrafa de champanhe no gelo. Temos mesmo o que comemorar.

A comemoração para atingir a plenitude como resultado satisfatório precisa ser boa para ambos.

- Você acha que realmente temos que comemorar?
- Eu acho!.
- Você sempre foi assim. Egoísta, individualista...
- Mas, agora, não sou mais assim, meu bem. Depois que te conheci, mudei muito, amadureci.
- Bem, isso é verdade. Mas ainda falta bastante pra ficar como eu gosto.
- Você nunca está contente!!!.
- Não é assim. Eu só quero atenção, atenção de olhar pra mim quando falo. Carinho, carinho de um beijo inesperado, um olhar afetuoso, uma rosa de vez em quando. Você acha que isso é ser muito exigente?
- E brindar aos nossos encontros e desencontros não conta? Uma vida inteira juntos, e a que preço...
- Você às vezes é gozado. Quando diz que eu ainda não sou como você gostaria me agride. Fica muito pouco para comemorar com esse jeito machista.
- Então não há o que comemorar?
- Para de brincadeirinha boba. Ninguém está brincando aqui.

Era o nosso jogo privado. Todo ano, na data do nosso aniversário de casamento, armávamos uma discussão para depois fazer as pazes. Com champanhe.