Trabalho coletivo a partir da palavra Insensatez
A insensatez impera em nossos dias atuais. A falta de bom senso faz com que os indivíduos ultrapassem os limites do razoável deixando insuportável a vida de muitas pessoas.
No telejornal da noite, uma notícia me chamou a atenção: “Uma mãezinha ainda muito jovem, após dar a luz a uma criança, colocou-a em uma caçamba, destas para entulho, virou as costas e foi embora”.
O repórter apressado, cumprindo o timming do jornal, perguntava à jovem descabelada e desnutrida o porquê de tão insólito ato.
Insólito? Pensei eu. Não vejo nada de insólito. A caçamba de hoje é a mesma caçamba de ontem, onde ela também tinha sido deixada ainda criança, mas isso ninguém quer ouvir e o tempo do jornal é demasiado caro para explicações estruturais.
O jornalista ficou assustado com o que ouvira e a alma atrapalhada com a mistura de raiva e pena, da mulher e da criança. Perguntou ao vivo e a cores, para que todo o país soubesse da coragem dele.
- E a senhora, como se sente com este ato?
- E o senhor, neste terno de rico, o que pensa da vida?
O jornalista que não esperava em nenhum momento esta pergunta mordaz fingiu que não escutou e continuou a reportagem. Naturalmente, deveria esperar esta reação pois os mais favorecidos se dizem solidários com os mais fracos, mas se for para mover um neurônio com o objetivo de melhorar a realidade deles, é hora de se esquivar.
Então, eu é quem pergunto:
- Você acha que com esse gesto irá resolver o problema da criança?
- Você acha que é só mostrar a dura realidade que todos conhecem?
De belas palavras o mundo está cheio. O inferno também. Ninguém queria ouvir falar da mulher que havia sido colocada numa caçamba fazia muito tempo, a noticia não estava na mídia. Mas queriam saber do bebê na caçamba, da notícia de hoje.
O que poderia ter sido notícia ontem, já era. Checar a raiz do problema daria muito trabalho. Uma pena, pela visão curta do profissional. Poderia render-lhe um bom prêmio como reportagem destaque, seguido de um livro reportagem, com um fato que se arrastou de uma geração para outra. Se ninguém se importar em buscar a causa, quanta violência desencadeará para frente? Onde está a responsabilidade social de todo e qualquer cidadão?
Talvez na insensatez e na falta de conscientização daqueles que viram as costas para um problema social.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
A SALVAÇÃO
Thays Morales
Nos dias de enchente, quando a maré crescia, a água verde subia até a figueira gigante. Situação nada comum nessa época do ano, mas a primavera, este ano, surpreendia pela intensidade e durabilidade das chuvas. Tanto que o homem vem interferindo na natureza, durante décadas e décadas, com sua enorme capacidade de destruição, que muitas vezes tem-se tornado vítima de sua própria ação maléfica.
Lembro que algumas semanas atrás, assistindo ao noticiário das 8, fiquei muito comovida ao ver uma cena tão impressionante quanto heróica. Felizmente, ainda há no mundo seres humanos tão extraordinários nas suas atitudes: salvando a vida de seu semelhante e colocando a sua própria em segundo plano. Foi isso que vi com detalhes no jornal e em meio a tantas decepções com nossa espécie, senti um orgulho enorme de nós, humanos.
Uma mulher, usando um capacete, tentava salvar sua moto durante a enchente, numa cidade do interior de São Paulo. Dois ou três homens gritavam para ela largar a moto enquanto um deles segurava com força uma corda que sustentava um outro homem que, por solidariedade, se agarrava à moça na tentativa de evitar sua morte, pois a correnteza era violenta e impiedosa e dela dificilmente alguém escaparia com vida.
No momento em que vi a mulher sumir, embaixo d’água, pensei que mais uma vida estaria perdida, como tantas outras. Assisti pela televisão à dor do homem que pensou ter fracassado na luta pela vida de outrem. Mas, mesmo com toda a enxurrada e a agressividade das águas, um milagre parecia ter acontecido. Porque, depois de alguns minutos tensos e eternos, apareceu uma mão fora da água em busca de socorro. A mulher estava dentro de um carro e tinha conseguido sair dele, tendo sua vida salva e protegida, mais uma vez, com a preciosa ajuda do mesmo homem desconhecido de antes.
Chorei ao ver o resgate da moça e a alegria de homens que nem a conheciam, mas que foram fundamentais no curso da sua história. É espantoso como nós, seres ditos humanos, somos capazes de atos louváveis iguais a esse, mas, também, capazes de causar tanta destruição e interferência na natureza a ponto de sofrermos as piores conseqüências, como no caso das enchentes.
Nós destruímos a natureza sem pensar nas conseqüências, durante anos e anos, para depois nos perguntarmos porque tanta enchente, tanto desequilíbrio. Está na hora de agirmos como esses homens. Eles salvaram uma vida. Nós temos que salvar o planeta.
Nos dias de enchente, quando a maré crescia, a água verde subia até a figueira gigante. Situação nada comum nessa época do ano, mas a primavera, este ano, surpreendia pela intensidade e durabilidade das chuvas. Tanto que o homem vem interferindo na natureza, durante décadas e décadas, com sua enorme capacidade de destruição, que muitas vezes tem-se tornado vítima de sua própria ação maléfica.
Lembro que algumas semanas atrás, assistindo ao noticiário das 8, fiquei muito comovida ao ver uma cena tão impressionante quanto heróica. Felizmente, ainda há no mundo seres humanos tão extraordinários nas suas atitudes: salvando a vida de seu semelhante e colocando a sua própria em segundo plano. Foi isso que vi com detalhes no jornal e em meio a tantas decepções com nossa espécie, senti um orgulho enorme de nós, humanos.
Uma mulher, usando um capacete, tentava salvar sua moto durante a enchente, numa cidade do interior de São Paulo. Dois ou três homens gritavam para ela largar a moto enquanto um deles segurava com força uma corda que sustentava um outro homem que, por solidariedade, se agarrava à moça na tentativa de evitar sua morte, pois a correnteza era violenta e impiedosa e dela dificilmente alguém escaparia com vida.
No momento em que vi a mulher sumir, embaixo d’água, pensei que mais uma vida estaria perdida, como tantas outras. Assisti pela televisão à dor do homem que pensou ter fracassado na luta pela vida de outrem. Mas, mesmo com toda a enxurrada e a agressividade das águas, um milagre parecia ter acontecido. Porque, depois de alguns minutos tensos e eternos, apareceu uma mão fora da água em busca de socorro. A mulher estava dentro de um carro e tinha conseguido sair dele, tendo sua vida salva e protegida, mais uma vez, com a preciosa ajuda do mesmo homem desconhecido de antes.
Chorei ao ver o resgate da moça e a alegria de homens que nem a conheciam, mas que foram fundamentais no curso da sua história. É espantoso como nós, seres ditos humanos, somos capazes de atos louváveis iguais a esse, mas, também, capazes de causar tanta destruição e interferência na natureza a ponto de sofrermos as piores conseqüências, como no caso das enchentes.
Nós destruímos a natureza sem pensar nas conseqüências, durante anos e anos, para depois nos perguntarmos porque tanta enchente, tanto desequilíbrio. Está na hora de agirmos como esses homens. Eles salvaram uma vida. Nós temos que salvar o planeta.
Abel e o irmão
Paulo Mauá
Panos ensangüentados, barbas mal feitas e corpos confusos.
A precária trincheira era o resultado da esperança ceifada dos que defendiam o arraial até o último respirar. Para os dois rapazes, poderia ser o último colo.
A quarta expedição, formada pelo exército do governo federal, homens de confiança dos fazendeiros locais e membros atuantes da igreja, avançava implacavelmente sobre os últimos resistentes. A ordem recebida de que ninguém deveria sobreviver para contar a história estava estampada no rosto de cada soldado.
Aos capturados, a degola. O único jeito de sair vivo daquela tragédia era estar do lado mais forte ou fugir como rato do mato.
Abel e o irmão mais velho estavam apavorados, sem ferimento aparente, sem munição, misturados a restos de gente de olhos voltados para o céu de um azul permanente à espera de um milagre. Poucas eram as alternativas de sobrevivência.
Restava sim, a peixeira na cintura e a vontade aperreada de vencer, mais uma vez, um momento crítico na vida. Estavam munidos de fé e perseverança perante o estado das coisas e das pessoas do nordeste brasileiro.
A tela triste pintada com os pincéis da fome, seca, violência, abandono político, foi pano para o beato Antonio Conselheiro criar uma cidade com mais de 5000 casas de pau a pique e uma multidão de fiéis. Prometia, com populismo e inteligência de líder nato, a nova república com fartura de trabalho, comida e a condição do retorno à monarquia.
Os dois irmãos buscaram por tanto tempo o reino encantado e um rei de coração aberto e pleno de boas intenções.
Abel nasceu, a mãe morreu e depois de uma década abandonados no pó e vivendo de resto d´água, ele e o irmão largaram o nada e tomaram a trilha para o oeste do sertão baiano. Conheceriam o tal de mar, grande lago com gosto de sal, verde como os olhos de Abel. Fincariam o pé em uma pacata aldeia de pescadores e teriam filhos, casa de verdade, uma mulher para acarinhar e uma jangada.
Mas, vira aqui, vira ali, calor demasiado na moleira e desorientados, rumaram para o norte do estado. E nada de aparecer o mar. Há um ano e meio depararam com o amontoado de pernas e miséria chamado Canudos.
A acolhida inicial dos moradores foi de imensa alegria para que os dois ficassem e criassem raízes. Com o passar do tempo, o paraíso cantado na literatura de cordel não era muito diferente do lugar onde haviam nascido.
O íntimo da alma, assustado com o fanatismo dos jagunços e dos sertanejos desempregados, entrava em desespero com o assobio das balas sobre as cabeças. O contingente de inimigos era maior que os anteriores e não parava de avançar.
O irmão mais velho pressente o que está para acontecer e toma a decisão:
- Corre, Abel, vem, vem.
Ergue-se da vala fétida, puxa o braço do irmão e, destrambelhados na direção oposta do batalhão de assassinos, tropeçam em corpos e quimeras abandonadas.
A última cerca que limita a vila está a menos de cinqüenta metros.
O som dos invasores está distante, como se pertencesse a um passado sem volta. Isso é bom sinal. Já podem escutar a melodia matinal do juriti, sentir o frescor da sombra das árvores copadas do quintal da nova casa e os respingos do riacho sinuoso no fundo do sítio fértil.
Os passos ligeiros das sandálias de couro cravando o chão e a respiração ofegante dos irmãos ditam o ritmo da alucinada corrida. A linha de chegada está próxima. De repente, um som agudo precede o barulho seco de um corpo no solo árido.
O mais velho pára, gira o tronco e vê um saco úmido de carne e suor. De joelhos, segura com carinho a nuca do irmão.
- ... o que aconteceu ? Porque paramos?
- Calma, Abel. Cê vai ficá bem. Respira fundo.
- ... eu... tô bem...
Naquele instante, a ilusão do mundo justo está desaparecendo.
- ... estou com sono... quero dormir ...
- Não desista. Olha pra mim. Olha pra mim !!!
- ...noite passada... tive um sonho...
O irmão tentava estancar o fluxo de sangue sem sucesso.
-... sonhei que chovia uma chuva colorida... todas as cores... sem parar... chovia tanto... um jardim... muita árvore... frutas... parecia um açude bem grande... que nem deve ser o tal do mar... devíamos ter ido pro mar... verde...
- Ainda vamos ver o mar. Não feche os olhos. Fica comigo !!!
Uma avalanche de passos apressados, gritos e galopes cresce lentamente.
- ... e chovia... dia sim, outro também... e nos dias de enchente, quando a maré crescia, a água verde subia até a figueira gigante... a gente pegando os figos... de dar água na boca... o mais bonito pra mãe...
O som avassalador dos invasores aproximava-os da chacina.
- ... que barulho é esse... é a chuva ?
- É. A chuva colorida tá vindo.
No abraço exagerado, a peixeira atravessa Abel como beijo fraterno de misericórdia e antes que os fuzis do pelotão os alcance, ela desfere mais um golpe. O último.
Os recém chegados crivam, com centenas de balas inúteis, os sonhos interrompidos de Abel e o irmão.
Panos ensangüentados, barbas mal feitas e corpos confusos.
A precária trincheira era o resultado da esperança ceifada dos que defendiam o arraial até o último respirar. Para os dois rapazes, poderia ser o último colo.
A quarta expedição, formada pelo exército do governo federal, homens de confiança dos fazendeiros locais e membros atuantes da igreja, avançava implacavelmente sobre os últimos resistentes. A ordem recebida de que ninguém deveria sobreviver para contar a história estava estampada no rosto de cada soldado.
Aos capturados, a degola. O único jeito de sair vivo daquela tragédia era estar do lado mais forte ou fugir como rato do mato.
Abel e o irmão mais velho estavam apavorados, sem ferimento aparente, sem munição, misturados a restos de gente de olhos voltados para o céu de um azul permanente à espera de um milagre. Poucas eram as alternativas de sobrevivência.
Restava sim, a peixeira na cintura e a vontade aperreada de vencer, mais uma vez, um momento crítico na vida. Estavam munidos de fé e perseverança perante o estado das coisas e das pessoas do nordeste brasileiro.
A tela triste pintada com os pincéis da fome, seca, violência, abandono político, foi pano para o beato Antonio Conselheiro criar uma cidade com mais de 5000 casas de pau a pique e uma multidão de fiéis. Prometia, com populismo e inteligência de líder nato, a nova república com fartura de trabalho, comida e a condição do retorno à monarquia.
Os dois irmãos buscaram por tanto tempo o reino encantado e um rei de coração aberto e pleno de boas intenções.
Abel nasceu, a mãe morreu e depois de uma década abandonados no pó e vivendo de resto d´água, ele e o irmão largaram o nada e tomaram a trilha para o oeste do sertão baiano. Conheceriam o tal de mar, grande lago com gosto de sal, verde como os olhos de Abel. Fincariam o pé em uma pacata aldeia de pescadores e teriam filhos, casa de verdade, uma mulher para acarinhar e uma jangada.
Mas, vira aqui, vira ali, calor demasiado na moleira e desorientados, rumaram para o norte do estado. E nada de aparecer o mar. Há um ano e meio depararam com o amontoado de pernas e miséria chamado Canudos.
A acolhida inicial dos moradores foi de imensa alegria para que os dois ficassem e criassem raízes. Com o passar do tempo, o paraíso cantado na literatura de cordel não era muito diferente do lugar onde haviam nascido.
O íntimo da alma, assustado com o fanatismo dos jagunços e dos sertanejos desempregados, entrava em desespero com o assobio das balas sobre as cabeças. O contingente de inimigos era maior que os anteriores e não parava de avançar.
O irmão mais velho pressente o que está para acontecer e toma a decisão:
- Corre, Abel, vem, vem.
Ergue-se da vala fétida, puxa o braço do irmão e, destrambelhados na direção oposta do batalhão de assassinos, tropeçam em corpos e quimeras abandonadas.
A última cerca que limita a vila está a menos de cinqüenta metros.
O som dos invasores está distante, como se pertencesse a um passado sem volta. Isso é bom sinal. Já podem escutar a melodia matinal do juriti, sentir o frescor da sombra das árvores copadas do quintal da nova casa e os respingos do riacho sinuoso no fundo do sítio fértil.
Os passos ligeiros das sandálias de couro cravando o chão e a respiração ofegante dos irmãos ditam o ritmo da alucinada corrida. A linha de chegada está próxima. De repente, um som agudo precede o barulho seco de um corpo no solo árido.
O mais velho pára, gira o tronco e vê um saco úmido de carne e suor. De joelhos, segura com carinho a nuca do irmão.
- ... o que aconteceu ? Porque paramos?
- Calma, Abel. Cê vai ficá bem. Respira fundo.
- ... eu... tô bem...
Naquele instante, a ilusão do mundo justo está desaparecendo.
- ... estou com sono... quero dormir ...
- Não desista. Olha pra mim. Olha pra mim !!!
- ...noite passada... tive um sonho...
O irmão tentava estancar o fluxo de sangue sem sucesso.
-... sonhei que chovia uma chuva colorida... todas as cores... sem parar... chovia tanto... um jardim... muita árvore... frutas... parecia um açude bem grande... que nem deve ser o tal do mar... devíamos ter ido pro mar... verde...
- Ainda vamos ver o mar. Não feche os olhos. Fica comigo !!!
Uma avalanche de passos apressados, gritos e galopes cresce lentamente.
- ... e chovia... dia sim, outro também... e nos dias de enchente, quando a maré crescia, a água verde subia até a figueira gigante... a gente pegando os figos... de dar água na boca... o mais bonito pra mãe...
O som avassalador dos invasores aproximava-os da chacina.
- ... que barulho é esse... é a chuva ?
- É. A chuva colorida tá vindo.
No abraço exagerado, a peixeira atravessa Abel como beijo fraterno de misericórdia e antes que os fuzis do pelotão os alcance, ela desfere mais um golpe. O último.
Os recém chegados crivam, com centenas de balas inúteis, os sonhos interrompidos de Abel e o irmão.
CONVERSA DE BAR
Antonio Taveira
─ Uma cerveja estupidamente gelada...
Enquanto o garçom se afasta para atender ao meu pedido, olho ao redor do bar quase vazio àquela hora. Espero que aqueles dois não demorem - penso... Mas logo sinto um tapa leve nas costas.
─ Já que foi o primeiro a chegar, ganhou o direito de pagar a conta. Garçom, traz mais dois copos.
─ Aposto que vocês fizeram de propósito, ficaram escondidos esperando eu entrar sozinho.
─ Nós jamais faríamos isso com você!
─ E então aquele timinho tomou outra surra do Palmeiras...
─ Nem me fale, dessa vez acho que o Luxa não ta com nada. Mas não vamos falar de futebol, porque se meu time está lá embaixo e esse ano não dá mais nada, o seu também não está tão bem.
─ Pelo menos já tamo na libertadores. È nóis na fita, mano!
─ Mas sabe que time sem passaporte não viaja prá muito longe, vai cair na primeira fase.
─ Esse ano vai ser dos Porco e nem os Bambis vão chegar. Vamos mudar de assunto, mas não pode ser automobilismo, porque o Rubinho Pé de Chinelo deu uma esperançinha prá gente que já acabou. O Button vai levar e aqui no Brasil.
─ Vamos falar daquela nova secretária do advogado do 4° andar.
─ Quê que é aquilo cara? O velhote ganhou aquele avião em alguma ação, só pode ser, ele num ta com essa bola toda não.
─ Toma cuidado, cara, dizem que ela é caso do chefão da área da marketing. Ele que arrumou um lugar pra ela na empresa e prá num dar bandeira, colocou na advocacia.
─ Vocês vão querer beliscar alguma coisa?
─ Traz as pernas da Sheila Carvalho, ou então da Viviane Araújo.
─ OK! Como elas não estão no cardápio, vou trazer o de sempre: uma picanha fatiada no ponto e uma porção de batatas - da portuguesa, certo? Vou trazer mais uma cerveja.
O garçom virou as costas e voltou para o bar.
─ Você falou uma coisa e é verdade, hoje a dolorosa é por minha conta.
─ Que é isso, vamos ratear como sempre fizemos.
─ Me deixa contar esta história. Sabem aquele cara da exportação que se acha bonitão, metido a Don Juan?
─ Sei, o cara é o maior mala.
─ Dizem que já cantou todas do andar dele.
─ Então... Eu estava no cafezinho quando ele chegou e comentei com ele se tinha reparado naquela morena de cabelo curtinho da área comercial.
─ Espera aí, essa mina...
─ Calma! Eu sabia da história dela. Quando ele lembrou quem era, ficou todo animado e eu dei corda. É uma garota super meiga, carinhosa, além de ser bonita e ter um belo corpo.
─ Realmente é uma bela mulher.
─ Então, cara, que tal investir numa saída com ela? Se você conseguir, eu pago o motel. Se não conseguir, você paga o chopp.
─ Fechamos a aposta. Ele começou o flerte mandando bombom num dia, uma rosa no outro, uma revista feminina, uma ligaçãozinha para desejar bom dia. E assim foi indo, até que chegou o dia da cartada final. Mandou um belo arranjo de flores com um convite para um romântico jantar. Ela ligou agradecendo as flores e disse que daria a resposta às dez e meia na Cafeteria na entrada do prédio.
─ E como você ficou sabendo de tudo isso?
─ Depois que marcou o café, ele me ligou todo feliz já cobrando a aposta. Como eu não queria perder essa cena, desci antes deles e fiquei em uma mesa no canto fingindo ler um jornal. Eles chegaram e eu ouvi toda a conversa.
─ Você gostou das flores? E o convite está de pé?
─ As flores são belíssimas, muito obrigado, mas o jantar eu não vou poder aceitar.
─ Por que? Algum problema comigo?
─ Não tem nada a ver com você, não. Toda mulher gosta de ser mimada, receber atenção, presentes.
_ E ...
_ O problema, colega, é que gostamos da mesma fruta!
─ Uma cerveja estupidamente gelada...
Enquanto o garçom se afasta para atender ao meu pedido, olho ao redor do bar quase vazio àquela hora. Espero que aqueles dois não demorem - penso... Mas logo sinto um tapa leve nas costas.
─ Já que foi o primeiro a chegar, ganhou o direito de pagar a conta. Garçom, traz mais dois copos.
─ Aposto que vocês fizeram de propósito, ficaram escondidos esperando eu entrar sozinho.
─ Nós jamais faríamos isso com você!
─ E então aquele timinho tomou outra surra do Palmeiras...
─ Nem me fale, dessa vez acho que o Luxa não ta com nada. Mas não vamos falar de futebol, porque se meu time está lá embaixo e esse ano não dá mais nada, o seu também não está tão bem.
─ Pelo menos já tamo na libertadores. È nóis na fita, mano!
─ Mas sabe que time sem passaporte não viaja prá muito longe, vai cair na primeira fase.
─ Esse ano vai ser dos Porco e nem os Bambis vão chegar. Vamos mudar de assunto, mas não pode ser automobilismo, porque o Rubinho Pé de Chinelo deu uma esperançinha prá gente que já acabou. O Button vai levar e aqui no Brasil.
─ Vamos falar daquela nova secretária do advogado do 4° andar.
─ Quê que é aquilo cara? O velhote ganhou aquele avião em alguma ação, só pode ser, ele num ta com essa bola toda não.
─ Toma cuidado, cara, dizem que ela é caso do chefão da área da marketing. Ele que arrumou um lugar pra ela na empresa e prá num dar bandeira, colocou na advocacia.
─ Vocês vão querer beliscar alguma coisa?
─ Traz as pernas da Sheila Carvalho, ou então da Viviane Araújo.
─ OK! Como elas não estão no cardápio, vou trazer o de sempre: uma picanha fatiada no ponto e uma porção de batatas - da portuguesa, certo? Vou trazer mais uma cerveja.
O garçom virou as costas e voltou para o bar.
─ Você falou uma coisa e é verdade, hoje a dolorosa é por minha conta.
─ Que é isso, vamos ratear como sempre fizemos.
─ Me deixa contar esta história. Sabem aquele cara da exportação que se acha bonitão, metido a Don Juan?
─ Sei, o cara é o maior mala.
─ Dizem que já cantou todas do andar dele.
─ Então... Eu estava no cafezinho quando ele chegou e comentei com ele se tinha reparado naquela morena de cabelo curtinho da área comercial.
─ Espera aí, essa mina...
─ Calma! Eu sabia da história dela. Quando ele lembrou quem era, ficou todo animado e eu dei corda. É uma garota super meiga, carinhosa, além de ser bonita e ter um belo corpo.
─ Realmente é uma bela mulher.
─ Então, cara, que tal investir numa saída com ela? Se você conseguir, eu pago o motel. Se não conseguir, você paga o chopp.
─ Fechamos a aposta. Ele começou o flerte mandando bombom num dia, uma rosa no outro, uma revista feminina, uma ligaçãozinha para desejar bom dia. E assim foi indo, até que chegou o dia da cartada final. Mandou um belo arranjo de flores com um convite para um romântico jantar. Ela ligou agradecendo as flores e disse que daria a resposta às dez e meia na Cafeteria na entrada do prédio.
─ E como você ficou sabendo de tudo isso?
─ Depois que marcou o café, ele me ligou todo feliz já cobrando a aposta. Como eu não queria perder essa cena, desci antes deles e fiquei em uma mesa no canto fingindo ler um jornal. Eles chegaram e eu ouvi toda a conversa.
─ Você gostou das flores? E o convite está de pé?
─ As flores são belíssimas, muito obrigado, mas o jantar eu não vou poder aceitar.
─ Por que? Algum problema comigo?
─ Não tem nada a ver com você, não. Toda mulher gosta de ser mimada, receber atenção, presentes.
_ E ...
_ O problema, colega, é que gostamos da mesma fruta!
DICAS
Verbo Atender
1)Para pessoas, prefira a regência direta(atender alguém).
Exemplos: O médico atendeu o paciente
O prefeito atendeu os pedidos
2) Para coisas, use a regência indireta (atender a).
Exemplos: A garota atendeu aos pedidos do amigo
O homem atendeu à intimação
Atrás/Atraso/Atrasar - escreve-se sempre com s.
Exemplo: Atrás de você tem um cara estranho...
Trazer é o verbo, sempre com z
Exemplo: Garçom, me traz uma cerveja...
Esta conversa não tem nada a ver com você...ou
Esta conversa tem tudo a ver com você.
Haver é verbo
1)Para pessoas, prefira a regência direta(atender alguém).
Exemplos: O médico atendeu o paciente
O prefeito atendeu os pedidos
2) Para coisas, use a regência indireta (atender a).
Exemplos: A garota atendeu aos pedidos do amigo
O homem atendeu à intimação
Atrás/Atraso/Atrasar - escreve-se sempre com s.
Exemplo: Atrás de você tem um cara estranho...
Trazer é o verbo, sempre com z
Exemplo: Garçom, me traz uma cerveja...
Esta conversa não tem nada a ver com você...ou
Esta conversa tem tudo a ver com você.
Haver é verbo
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DICA: Verbo Atender; laboratorio do escritor
terça-feira, 20 de outubro de 2009
A Valsa do Adeus
conto de Paulo Mauá
Introdução
Embora conhecida desde o século XV, quando surgiu na Alemanha, a valsa foi consagrada 400 anos depois, por meio da família Strauss, nos saraus vienenses e teve como fiéis seguidores Chopin e Ravel, dentre outros.
A valsa é um gênero musical baseado em compasso ternário, ou seja, três tempos moderados: um-tá-tá, um-tá-tá, um-tá-tá. Portanto, bastam três semínimas por compasso, onde cada semínima é representada por uma nota toda preenchida com uma haste.
A palavra valsa vem do verbo alemão Walzen que significa girar ou deslizar. Para dançar a madrugada adentro, é só seguir o ritmo.
1º tempo do compasso
Estou linda.
O espelho mágico confirma: deslumbrante.
As meninas retocam a maquiagem antes da entrada no salão de baile. Um arrepio percorre meus braços arrebatando o meu espírito e a face não disfarça a despedida do meu sorriso de menina. O peito ofegante prevê a mulher que vem por aí. Que venha!
- Tem rímel?
- Pode pegar.
- Obrigada.
Estamos alvoroçadas e prontas para a sonhada dança com os pares. Silvinha irá com o César. A Rô com o Gabriel. Não sei quem vai dançar com a Aninha Souza. A Aninha Clemente conseguiu fisgar o filho do prefeito. Mateus vai dançar com a Leila. Boa sorte pra ela. E pra ele também. Esses meninos, cheirando a terno alugado, são bonitinhos mas me despertam interesse apenas para um final de semana descompromissado. Quero mais.
Esta noite será a noite.
Se tenho medo? Confesso que sim. Mas sou Amarílis, a guerreira, como minha avó, e sei que a madrugada será a ponte de ida sem volta da terra das brincadeiras inocentes para o reino do ser mulher. Nada pior do que viver sufocada, com o coração marcado pela centelha da paixão improvável.
Adeus para o gosta desse, gosta daquele, panelinhas de comida, brincar de casinha e bonecas. Rasgo em definitivo a sensação ilimitada do faz de conta.
Estou pronta para suportar o amanhã. O risco será meu. Desde o dia em que fiz amor pela primeira vez com o Mateus, assumi o destino. Meu pai nem imagina que não sou mais virgem. Talvez ele saiba e nunca tenha me dito para não me deixar em uma situação constrangedora.
Ele sente até hoje a morte da mamãe, mas não posso me responsabilizar pelo estado sentimental dele nem pelo que ocorreu com ela. Só eu sei como as minhas veias pulsam desde então. A vida é um reino de fatalidades e conseqüências. Não tenho escolha.
- Vamos, meninas, os convidados estão esperando. Vocês são as estrelas de hoje. Quero ver todas sorrindo.
Pronto, a ponte elevadiça já está sobre o poço. Preciso girar meu destino e sair do castelo.
2º tempo do compasso
Estou suando e não sei se é calor ou nervoso. Nunca gostei de dançar e depois de viúvo, fiquei mais travado ainda. Vale o sacrifício pela felicidade de Amarílis. Elas vão demorar muito para aparecer?
Desde a morte de Suzana, tento ser um pai mais atuante. Não sou perfeito, pois não consigo ser o pai carinhoso, o pai príncipe, o pai herói e os outros pais que ela tanto precisa.
Onde está o Mateus? Achei que ela ia dançar com ele, mas a honra foi minha. Ele é simpático, educado, bom menino, ótima companhia para a minha filha, mas Amarílis considera-o infantil. Ela é quem sabe o que é melhor para ela. Às vezes me pergunto se ela ainda é virgem. Se não fosse mais, acho que teria me revelado. Minha bonequinha está deixando de ser criança para virar adolescente.
- Ela está uma mulher feita, né filho ?
- Mãe, a senhora é suspeita: neta querida, mesmo nome que a senhora, sei não.
- Ela já é uma mulher.
Mudaram as luzes, o som, acho que o portão vai abrir. Descem as primeiras meninas e a amiguinha dela da escola é logo a primeira. Nossa, a outra quase caiu. Lá vem minha princesa. Continuo suando frio. Que os céus me ajudem a deslizar pelo salão e não pisar no pé dela.
3º tempo do compasso
Em casa, a nuvem multicolorida de papéis de presente descansa sobre o sofá. A filha está apreensiva. O pai sente-se realizado, mas saudoso.
- Sua mãe ficaria muito feliz em compartilhar este momento conosco.
Amarílis desconversa:
- Olha, um colar de prata com um anjinho. Ganhei da vovó. Adorei.
O chuveiro ameniza o cansaço do pai. Amanhã será outro dia.
- Durma bem, querida.
- Você também. Te amo, pai.
- Também te amo.
Deitado, lembra dos convidados, da valsa com a filha, da falta que sente do colo da esposa. Os pensamentos entram na fase de turbulência do sono.
A porta do quarto abre silenciosamente.
Passos avançando em sua direção.
O movimento do lençol desperta-o um pouco e ainda confuso sente um beijo leve na nuca.
Será sonho?
Pequenos seios repousam nas suas costas.
Delicadas mãos deslizam à procura do seu sexo.
O susto estanca o coração de imediato e antes que possa girar o dorso, a mulher sussurra em seu ouvido:
- Pssst...faz de conta que eu sou a mamãe.
Introdução
Embora conhecida desde o século XV, quando surgiu na Alemanha, a valsa foi consagrada 400 anos depois, por meio da família Strauss, nos saraus vienenses e teve como fiéis seguidores Chopin e Ravel, dentre outros.
A valsa é um gênero musical baseado em compasso ternário, ou seja, três tempos moderados: um-tá-tá, um-tá-tá, um-tá-tá. Portanto, bastam três semínimas por compasso, onde cada semínima é representada por uma nota toda preenchida com uma haste.
A palavra valsa vem do verbo alemão Walzen que significa girar ou deslizar. Para dançar a madrugada adentro, é só seguir o ritmo.
1º tempo do compasso
Estou linda.
O espelho mágico confirma: deslumbrante.
As meninas retocam a maquiagem antes da entrada no salão de baile. Um arrepio percorre meus braços arrebatando o meu espírito e a face não disfarça a despedida do meu sorriso de menina. O peito ofegante prevê a mulher que vem por aí. Que venha!
- Tem rímel?
- Pode pegar.
- Obrigada.
Estamos alvoroçadas e prontas para a sonhada dança com os pares. Silvinha irá com o César. A Rô com o Gabriel. Não sei quem vai dançar com a Aninha Souza. A Aninha Clemente conseguiu fisgar o filho do prefeito. Mateus vai dançar com a Leila. Boa sorte pra ela. E pra ele também. Esses meninos, cheirando a terno alugado, são bonitinhos mas me despertam interesse apenas para um final de semana descompromissado. Quero mais.
Esta noite será a noite.
Se tenho medo? Confesso que sim. Mas sou Amarílis, a guerreira, como minha avó, e sei que a madrugada será a ponte de ida sem volta da terra das brincadeiras inocentes para o reino do ser mulher. Nada pior do que viver sufocada, com o coração marcado pela centelha da paixão improvável.
Adeus para o gosta desse, gosta daquele, panelinhas de comida, brincar de casinha e bonecas. Rasgo em definitivo a sensação ilimitada do faz de conta.
Estou pronta para suportar o amanhã. O risco será meu. Desde o dia em que fiz amor pela primeira vez com o Mateus, assumi o destino. Meu pai nem imagina que não sou mais virgem. Talvez ele saiba e nunca tenha me dito para não me deixar em uma situação constrangedora.
Ele sente até hoje a morte da mamãe, mas não posso me responsabilizar pelo estado sentimental dele nem pelo que ocorreu com ela. Só eu sei como as minhas veias pulsam desde então. A vida é um reino de fatalidades e conseqüências. Não tenho escolha.
- Vamos, meninas, os convidados estão esperando. Vocês são as estrelas de hoje. Quero ver todas sorrindo.
Pronto, a ponte elevadiça já está sobre o poço. Preciso girar meu destino e sair do castelo.
2º tempo do compasso
Estou suando e não sei se é calor ou nervoso. Nunca gostei de dançar e depois de viúvo, fiquei mais travado ainda. Vale o sacrifício pela felicidade de Amarílis. Elas vão demorar muito para aparecer?
Desde a morte de Suzana, tento ser um pai mais atuante. Não sou perfeito, pois não consigo ser o pai carinhoso, o pai príncipe, o pai herói e os outros pais que ela tanto precisa.
Onde está o Mateus? Achei que ela ia dançar com ele, mas a honra foi minha. Ele é simpático, educado, bom menino, ótima companhia para a minha filha, mas Amarílis considera-o infantil. Ela é quem sabe o que é melhor para ela. Às vezes me pergunto se ela ainda é virgem. Se não fosse mais, acho que teria me revelado. Minha bonequinha está deixando de ser criança para virar adolescente.
- Ela está uma mulher feita, né filho ?
- Mãe, a senhora é suspeita: neta querida, mesmo nome que a senhora, sei não.
- Ela já é uma mulher.
Mudaram as luzes, o som, acho que o portão vai abrir. Descem as primeiras meninas e a amiguinha dela da escola é logo a primeira. Nossa, a outra quase caiu. Lá vem minha princesa. Continuo suando frio. Que os céus me ajudem a deslizar pelo salão e não pisar no pé dela.
3º tempo do compasso
Em casa, a nuvem multicolorida de papéis de presente descansa sobre o sofá. A filha está apreensiva. O pai sente-se realizado, mas saudoso.
- Sua mãe ficaria muito feliz em compartilhar este momento conosco.
Amarílis desconversa:
- Olha, um colar de prata com um anjinho. Ganhei da vovó. Adorei.
O chuveiro ameniza o cansaço do pai. Amanhã será outro dia.
- Durma bem, querida.
- Você também. Te amo, pai.
- Também te amo.
Deitado, lembra dos convidados, da valsa com a filha, da falta que sente do colo da esposa. Os pensamentos entram na fase de turbulência do sono.
A porta do quarto abre silenciosamente.
Passos avançando em sua direção.
O movimento do lençol desperta-o um pouco e ainda confuso sente um beijo leve na nuca.
Será sonho?
Pequenos seios repousam nas suas costas.
Delicadas mãos deslizam à procura do seu sexo.
O susto estanca o coração de imediato e antes que possa girar o dorso, a mulher sussurra em seu ouvido:
- Pssst...faz de conta que eu sou a mamãe.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
DICA: Para escrever números
De um a dez, escreva os números por extenso: dois, nove, etc.
A partir de 11, o 11 inclusive, em algarismos: 15 jovens, 27 soldados .
Exceção: escreva cem e mil.
Use essa mesma regra com os ordinais: primeira hora, quinto aniversário, 15ª vez, 25º ano consecutivo.
A partir de 11, o 11 inclusive, em algarismos: 15 jovens, 27 soldados .
Exceção: escreva cem e mil.
Use essa mesma regra com os ordinais: primeira hora, quinto aniversário, 15ª vez, 25º ano consecutivo.
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