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quarta-feira, 4 de novembro de 2009
BOA NOTÍCIA
Ana Lucia Santos fez sua inscrição no Concurso de Poesias "Poetas Caiçaras", promovido pela escritora Vanessa Hatoon, e seu trabalho foi selecionado entre mais de 100 trabalhos inscritos. Isso significa que nossa parceira do Laboratório do Escritor vai ter um de seus poemas – Tábuas - publicado, ao lado de outros 29 ganhadores, num livro a ser editado brevemente.
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Concurso de Poesias "Poetas Caiçaras"
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Acerto de contas, por Ana Lucia Santos
Exercício com as palavras trevas, amêndoas, etc.
Por Ana Lucia Santos
ACERTO DE CONTAS
Matheus teve uma infância tranqüila, como tantas outras crianças crescidas em cidades pequenas. Pelo menos esse era o seu ponto de vista. Não havia grandes problemas sob o olhar do menino. Brincava pelos pomares da grande fazenda, próximos da também grande casa, de onde entrava e saía livremente.
Sabia que os pais eram apenas empregados no local, mas isto não o impedia de brincar entre as jabuticabeiras que cresciam bem cultivadas. Tinham as marcas das mãos do pai e de outros empregados. Foi lá, na frente da casa grande, onde enormes samambaias pendiam de xaxins, em frente a essas mesmas samambaias “testemunhas”, que seus pais foram enxotados, da noite para o dia, quando acusados de ladrões pelos patrões. Acusaram propriamente o pai, de ter roubado todo o dinheiro destinado ao pagamento dos empregados. Não se sabe como, depois de apurada busca, passado algum tempo, o dinheiro foi encontrado no quarto do sr. Quirino, pai de Matheus. As palavras do patrão foram duras, ferinas, humilhantes. Seus pais saíram cabisbaixos, sua mãe chorava. A tudo o menino assistia.
No dia daquela expulsão, Matheus soube, se não apenas pressentiu, teriam ficado para trás as alegrias das festas, dos arrasta-pés que levantavam poeira, onde os adultos bebiam da boa cachaça. Onde se dançava ao som do acordeom nas festas juninas, onde se comia pinhas, amêndoas, doces de abóbora e coco.
Saíram sem nada, praticamente com a roupa do corpo. Pai, mãe e cinco filhos. Saíram à noite. Matheus olhava para trás. Primeiro via as luzes. Depois, só trevas. As mesmas trevas que nublaram os seus pensamentos durante muitos anos.
Agora, anos depois, retornava ao local.
Entre a saída e o retorno, as lembranças da dura vida dos pais, que se consumiram na luta diária, tentando ganhar o pão para o sustento dos filhos. Não podia esquecer a tristeza da mãe, a humilhação e a mágoa do pai pela injustiça que tinha sofrido pela vergonha que, para um homem de caráter, era como se tivesse sido mutilado, ou ferido de morte. O fato é que o sr. . Quirino não se reergueu mais.
Entre pequenos trabalhos, aqui e ali, o adoecimento precoce. Pneumonia, os médicos disseram, seguida de tuberculose. Resistiu poucos anos após a grande decepção.
A mãe tomou para si o encargo de criar os filhos. Lavava roupa pra fora, trabalhava como doméstica. Seguiu carregando sua cruz. Os filhos cresceram, também seguiram em frente. Destinos previstos, anunciados, das periferias das grandes cidades. Vida comum, pobre, precária, muitos filhos, sofrimento.
Matheus, o terceiro filho, guardava na memória os dissabores do pai. Concentrou-se neles, jurou para si mesmo vingar-se. E agora era chegada a hora.
Olhando o pêndulo do relógio na parede da grande sala, ela já não lhe parecia tão grande. Nem a sala nem o relógio. Talvez o fosse, aos olhos de um menino pequeno. O olhar agora era do homem.
Mas a casa, de fato, era de pessoas ricas.
Anunciou sua presença, se denominou representante comercial, novos insumos para a lavoura, melhor produtividade, maiores lucros. Novas perspectivas.
Logo apareceu o sr. Evaristo. Homem alto, branco, barriga proeminente, bigodes e lábios grossos, olhos claros e pele avermelhada.
Matheus olhou direto nos olhos do dono da grande casa, que logo lhe perguntava o que de novo trazia. Teria amostras grátis que garantissem a eficiência dos novos insumos para a lavoura?
Matheus manteve os olhos firmes nos olhos claros do homem. Por um lapso de tempo, se perguntou o que fazia ali. A resposta lhe veio imediata. Talvez fosse um sentimento de vingança o que impulsionava o outrora garoto e agora homem a voltar àquele lugar. Ou talvez um senso de justiça, o que o levou a levantar a arma que estava em sua mão e a apontar firmemente na direção do ex-patrão de seu pai. Em qualquer das hipóteses quanto às causas, o resultado final seria o mesmo.
Tudo se transformaria daqui pra frente, seria como a chegada do apocalipse em sua vida. Apocalipse tantas vezes invocado pela mãe quando pegava a bíblia e falava do final dos tempos. Matheus não sabia se seria ao mesmo tempo para todos o final dos tempos. Sabia sim, que para o sr. Evaristo seria agora. Para ele, talvez um pouco depois.
Com esse pensamento e a arma apontada, falou: - Trago amostras grátis sim e vendo justiça. Sou o filho do sr. Quirino, aquele homem com a vida de quem o senhor acabou quando o escorraçou daqui há quase quinze anos. Trago de graça também uma informação. Ele era inocente, o sr. sabia?
Para sua surpresa, o dono da fazenda, com olhos arregalados e perplexos, acenou afirmativamente com a cabeça.
Matheus não entendeu o gesto. Veio um lapso de dúvida. Dizia agora que sabia da inocência do pai para poupar a própria vida? Ou sabia mesmo e ainda assim o havia expulsado daquele jeito? Não importa. Também agora, em qualquer das hipóteses, o resultado seria o mesmo.
Mirou bem a pontaria e atirou. Uma, duas, três vezes. Virou as costas e saiu.
Não olhou para trás, não quis. Teve mede de ver novamente as trevas que se sobreporiam às luzes, à distância.
Não viu quando, aos gritos, vieram socorrer o sr. Evaristo. Inutilmente, ele já caído inerte. A vida se esvaindo.
Matheus, à distância, se perguntava se o homem de fato sabia da inocência do pai. Pensava que trama teriam armado para imputar a culpa a um empregado tão dedicado e honesto como sr. Quirino.
Teve raiva. O maldito do ex-patrão lhe deixara essa dúvida. E a dívida. Agora não tinha mais como cobrar.
Por Ana Lucia Santos
ACERTO DE CONTAS
Matheus teve uma infância tranqüila, como tantas outras crianças crescidas em cidades pequenas. Pelo menos esse era o seu ponto de vista. Não havia grandes problemas sob o olhar do menino. Brincava pelos pomares da grande fazenda, próximos da também grande casa, de onde entrava e saía livremente.
Sabia que os pais eram apenas empregados no local, mas isto não o impedia de brincar entre as jabuticabeiras que cresciam bem cultivadas. Tinham as marcas das mãos do pai e de outros empregados. Foi lá, na frente da casa grande, onde enormes samambaias pendiam de xaxins, em frente a essas mesmas samambaias “testemunhas”, que seus pais foram enxotados, da noite para o dia, quando acusados de ladrões pelos patrões. Acusaram propriamente o pai, de ter roubado todo o dinheiro destinado ao pagamento dos empregados. Não se sabe como, depois de apurada busca, passado algum tempo, o dinheiro foi encontrado no quarto do sr. Quirino, pai de Matheus. As palavras do patrão foram duras, ferinas, humilhantes. Seus pais saíram cabisbaixos, sua mãe chorava. A tudo o menino assistia.
No dia daquela expulsão, Matheus soube, se não apenas pressentiu, teriam ficado para trás as alegrias das festas, dos arrasta-pés que levantavam poeira, onde os adultos bebiam da boa cachaça. Onde se dançava ao som do acordeom nas festas juninas, onde se comia pinhas, amêndoas, doces de abóbora e coco.
Saíram sem nada, praticamente com a roupa do corpo. Pai, mãe e cinco filhos. Saíram à noite. Matheus olhava para trás. Primeiro via as luzes. Depois, só trevas. As mesmas trevas que nublaram os seus pensamentos durante muitos anos.
Agora, anos depois, retornava ao local.
Entre a saída e o retorno, as lembranças da dura vida dos pais, que se consumiram na luta diária, tentando ganhar o pão para o sustento dos filhos. Não podia esquecer a tristeza da mãe, a humilhação e a mágoa do pai pela injustiça que tinha sofrido pela vergonha que, para um homem de caráter, era como se tivesse sido mutilado, ou ferido de morte. O fato é que o sr. . Quirino não se reergueu mais.
Entre pequenos trabalhos, aqui e ali, o adoecimento precoce. Pneumonia, os médicos disseram, seguida de tuberculose. Resistiu poucos anos após a grande decepção.
A mãe tomou para si o encargo de criar os filhos. Lavava roupa pra fora, trabalhava como doméstica. Seguiu carregando sua cruz. Os filhos cresceram, também seguiram em frente. Destinos previstos, anunciados, das periferias das grandes cidades. Vida comum, pobre, precária, muitos filhos, sofrimento.
Matheus, o terceiro filho, guardava na memória os dissabores do pai. Concentrou-se neles, jurou para si mesmo vingar-se. E agora era chegada a hora.
Olhando o pêndulo do relógio na parede da grande sala, ela já não lhe parecia tão grande. Nem a sala nem o relógio. Talvez o fosse, aos olhos de um menino pequeno. O olhar agora era do homem.
Mas a casa, de fato, era de pessoas ricas.
Anunciou sua presença, se denominou representante comercial, novos insumos para a lavoura, melhor produtividade, maiores lucros. Novas perspectivas.
Logo apareceu o sr. Evaristo. Homem alto, branco, barriga proeminente, bigodes e lábios grossos, olhos claros e pele avermelhada.
Matheus olhou direto nos olhos do dono da grande casa, que logo lhe perguntava o que de novo trazia. Teria amostras grátis que garantissem a eficiência dos novos insumos para a lavoura?
Matheus manteve os olhos firmes nos olhos claros do homem. Por um lapso de tempo, se perguntou o que fazia ali. A resposta lhe veio imediata. Talvez fosse um sentimento de vingança o que impulsionava o outrora garoto e agora homem a voltar àquele lugar. Ou talvez um senso de justiça, o que o levou a levantar a arma que estava em sua mão e a apontar firmemente na direção do ex-patrão de seu pai. Em qualquer das hipóteses quanto às causas, o resultado final seria o mesmo.
Tudo se transformaria daqui pra frente, seria como a chegada do apocalipse em sua vida. Apocalipse tantas vezes invocado pela mãe quando pegava a bíblia e falava do final dos tempos. Matheus não sabia se seria ao mesmo tempo para todos o final dos tempos. Sabia sim, que para o sr. Evaristo seria agora. Para ele, talvez um pouco depois.
Com esse pensamento e a arma apontada, falou: - Trago amostras grátis sim e vendo justiça. Sou o filho do sr. Quirino, aquele homem com a vida de quem o senhor acabou quando o escorraçou daqui há quase quinze anos. Trago de graça também uma informação. Ele era inocente, o sr. sabia?
Para sua surpresa, o dono da fazenda, com olhos arregalados e perplexos, acenou afirmativamente com a cabeça.
Matheus não entendeu o gesto. Veio um lapso de dúvida. Dizia agora que sabia da inocência do pai para poupar a própria vida? Ou sabia mesmo e ainda assim o havia expulsado daquele jeito? Não importa. Também agora, em qualquer das hipóteses, o resultado seria o mesmo.
Mirou bem a pontaria e atirou. Uma, duas, três vezes. Virou as costas e saiu.
Não olhou para trás, não quis. Teve mede de ver novamente as trevas que se sobreporiam às luzes, à distância.
Não viu quando, aos gritos, vieram socorrer o sr. Evaristo. Inutilmente, ele já caído inerte. A vida se esvaindo.
Matheus, à distância, se perguntava se o homem de fato sabia da inocência do pai. Pensava que trama teriam armado para imputar a culpa a um empregado tão dedicado e honesto como sr. Quirino.
Teve raiva. O maldito do ex-patrão lhe deixara essa dúvida. E a dívida. Agora não tinha mais como cobrar.
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quinta-feira, 26 de março de 2009
Era uma vez um gato xadrez
Ana Lucia Santos
Exercício a partir da frase: Era uma vez um gato xadrez...
Era manhoso e mimado como todo gato é. Só que esse não era gato e sim gata.
Nina, a gata, era tratada a pires de leite, embora só comesse ração.
E gato xadrez é força de expressão.
Nina era tricolor. Branca, cinza e amarela, do tipo rajada. As pontas das patas eram brancas e fofas, como patas de bichos de pelúcia.
Esgueirava-se e era mimada. Parecia saber disso e abusava.
Perseguia pequenos insetos com ares de caçadora. Dentro da casa.
Um dia, no seu tempo certo, resolveu se esgueirar para a vida noturna.
Sofreu, a gata que era mimada. Muitos obstáculos.
Olhava com seus olhos cor de mel pelos pequenos vãos em forma de losangos da rede da janela. Roçava-se, patas colocadas pelos vãos, não alcançava a mureta, nem o telhado. Nem os gatos da vida. Olhou ao redor, ouviu passos e ruídos de molho de chave.
-Eles vão sair, pensou (essa gata pensava).
Adiantou o passo, correu tentando alcançar a porta, era sua chance.
Pernas pelo caminho, obstáculos, a porta fechou, que sina!
Nina voltou desconsolada pra sua vida encolhida.
Pensou novamente (como eu disse, essa gata pensava):
- Como encontrar os gatos da rua.
Cabeça na janela, olho brilhando. Vidrado como bolas de gude.
Atenta para nova oportunidade, Roçava, miava, se esgueirava cada vez mais.
Cadê os donos da gata mimada? Que não quer mais a vida encolhida, quer vida de gata de rua?
Mais uma chance, a porta se abre, Nina corre. Pula arranha, alguém grita:
- Nina, pega a gata, fecha a porta!
Dessa vez não deu pros donos da gata. Nina, mais esperta, mais apertada pelos chamados da vida noturna, conseguiu sair.
Ganhou o mundo, ganhou a vida, diurna e noturna.
Na casa, um corre-corre, criança chorando, adultos tristes, dias passando, noites passando.
Longos miados noturnos na vizinhança.
Nina passeia na rua rebolativa, iluminada pelas luzes dos postes.
Luzes que mostram um bonito cartaz. Uma linda foto.
Gatinha rajada com as pontas das patas brancas e fofas, como um bichinho de pelúcia. Em baixo da foto os dizeres:
- Você viu esta gatinha? Criança doente. Damos recompensa!
Nina arregalou os olhos, que ficaram mais brilhantes e mais vidrados.
De repente, num salto e numa longa disparada, correu pra muito longe, pra longe da vida encolhida.
Na casa, a busca e a espera.
-Ela vai voltar, diziam. Os gatos sempre voltam pra casa.
Os dias passaram, as semanas passaram, os meses passaram. Nina, a gata mimada, não voltou. Na casa, a frase mudou.
- Que gata ingrata, não volta mais!
Exercício a partir da frase: Era uma vez um gato xadrez...
Era manhoso e mimado como todo gato é. Só que esse não era gato e sim gata.
Nina, a gata, era tratada a pires de leite, embora só comesse ração.
E gato xadrez é força de expressão.
Nina era tricolor. Branca, cinza e amarela, do tipo rajada. As pontas das patas eram brancas e fofas, como patas de bichos de pelúcia.
Esgueirava-se e era mimada. Parecia saber disso e abusava.
Perseguia pequenos insetos com ares de caçadora. Dentro da casa.
Um dia, no seu tempo certo, resolveu se esgueirar para a vida noturna.
Sofreu, a gata que era mimada. Muitos obstáculos.
Olhava com seus olhos cor de mel pelos pequenos vãos em forma de losangos da rede da janela. Roçava-se, patas colocadas pelos vãos, não alcançava a mureta, nem o telhado. Nem os gatos da vida. Olhou ao redor, ouviu passos e ruídos de molho de chave.
-Eles vão sair, pensou (essa gata pensava).
Adiantou o passo, correu tentando alcançar a porta, era sua chance.
Pernas pelo caminho, obstáculos, a porta fechou, que sina!
Nina voltou desconsolada pra sua vida encolhida.
Pensou novamente (como eu disse, essa gata pensava):
- Como encontrar os gatos da rua.
Cabeça na janela, olho brilhando. Vidrado como bolas de gude.
Atenta para nova oportunidade, Roçava, miava, se esgueirava cada vez mais.
Cadê os donos da gata mimada? Que não quer mais a vida encolhida, quer vida de gata de rua?
Mais uma chance, a porta se abre, Nina corre. Pula arranha, alguém grita:
- Nina, pega a gata, fecha a porta!
Dessa vez não deu pros donos da gata. Nina, mais esperta, mais apertada pelos chamados da vida noturna, conseguiu sair.
Ganhou o mundo, ganhou a vida, diurna e noturna.
Na casa, um corre-corre, criança chorando, adultos tristes, dias passando, noites passando.
Longos miados noturnos na vizinhança.
Nina passeia na rua rebolativa, iluminada pelas luzes dos postes.
Luzes que mostram um bonito cartaz. Uma linda foto.
Gatinha rajada com as pontas das patas brancas e fofas, como um bichinho de pelúcia. Em baixo da foto os dizeres:
- Você viu esta gatinha? Criança doente. Damos recompensa!
Nina arregalou os olhos, que ficaram mais brilhantes e mais vidrados.
De repente, num salto e numa longa disparada, correu pra muito longe, pra longe da vida encolhida.
Na casa, a busca e a espera.
-Ela vai voltar, diziam. Os gatos sempre voltam pra casa.
Os dias passaram, as semanas passaram, os meses passaram. Nina, a gata mimada, não voltou. Na casa, a frase mudou.
- Que gata ingrata, não volta mais!
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quarta-feira, 18 de março de 2009
CARRAPICHO
Ana Lucia Santos
Exercício com a palavra carrapicho
Que enrosca, me pega,
Gruda, se encosta feito bicho.
Carrapichos no meu dia-a-dia,
Encontro vários,
Decididos a me atrapalhar.
Vem feito erva daninha.
Põe pro chão, me paralisa.
Tira o rumo, perco o prumo.
Mudam a reta da seta
Pra onde apontei.
Carrapichos do meu dia-a-dia.
Fica tudo arrastado,
Desaguado antes do tempo.
Faz pensar pequeno, pensar baixo.
Ter raiva, falar mal, me atrapalhar.
Carrapichos do meu dia-a-dia,
Enroscam feito erva daninha,
Esvai o desejo que eu tinha.
Se impõe e eu me ocupo,
Tentando desenroscar.
Exercício com a palavra carrapicho
Que enrosca, me pega,
Gruda, se encosta feito bicho.
Carrapichos no meu dia-a-dia,
Encontro vários,
Decididos a me atrapalhar.
Vem feito erva daninha.
Põe pro chão, me paralisa.
Tira o rumo, perco o prumo.
Mudam a reta da seta
Pra onde apontei.
Carrapichos do meu dia-a-dia.
Fica tudo arrastado,
Desaguado antes do tempo.
Faz pensar pequeno, pensar baixo.
Ter raiva, falar mal, me atrapalhar.
Carrapichos do meu dia-a-dia,
Enroscam feito erva daninha,
Esvai o desejo que eu tinha.
Se impõe e eu me ocupo,
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