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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

BALBÚRDIA

Thays Morales


- Bom dia, bom dia, good morning!!!
- Oi tia!
- Oi Querida!
- Abram as janelas, toda vez tenho que mandar?
- Tia?
- Que foi?
- O Pedro me bateu!
- Por que?
- Não tia, ela me provocou. Ela começou.
- Bem, não quero saber quem começou, peçam desculpas um pro outro.
- Desculpa.
- Desculpa
- Falem mais baixo, não consigo ouvir a menina aqui. Que bagunça!!
- Tia fiz pra você.
- Tia, ele me xingou.
- Xingou?
- Disse que sou burra.
- Ignora! Que é mentira.
- Mentira nada, tia. Ela é burra mesmo.
- Que coisa feia. Pede desculpas.
- Tia, a senhora ta tão linda hoje.
- Obrigada. Você é uma graça. Mas seus colegas, a maioria só sabe fazer- bagunça.
- Eu não faço bagunça, tia.
- Eu sei! Alguns fazem. Você não.
- Menino, para de jogar bola na classe. Vai acabar se machucando. Você ta surdo?
- Deixa eu jogar tia, só um pouquinho.
- Não pode. Aqui não.
- Tia posso beber água?
- Tia posso ir no banheiro?
- Pode. Não, não pode. Volta aqui, menina. Não deixei sair. Um de cada vez. Todo mundo sentado, não agüento mais essa balbúrdia!!!
- Credo, o que isso tia? Que palavra esquisita.
- Isso é o que vocês sabem fazer muito bem. Só isso.

domingo, 1 de novembro de 2009

BALBÚRDIA

Eliana Pace

- Bom dia, bom dia, bom dia, bom dia a todos. Vão todos bem? Bem não devem estar, ou não nos encontraríamos aqui, nesta sala de espera.
- Ah, obrigada pelos elogios à minha elegância. Este tecido da minha roupa é caro, é Príncipe de Gales.
- Vestida para ir a um casamento? Imagina... Minha mãe exigia que estivéssemos sempre bem arrumados na hora de ir ao médico. Então, caprichávamos mesmo. Nas festas, então...
- Estou sempre impecável. Acordo às 5 horas da manhã, me arrumo toda, faço maquiagem e vou varrer a minha calçada na maior elegância.
– Ouço a previsão do tempo na rádio. Mas logo que ouço, esqueço. Então, vim de chapéu porque achei que ia fazer sol. Os óculos são para proteger meus olhos. Estranho a claridade.
- Isso não é guarda chuva, meu senhor, é guarda sol.
- Meu casaco está sem um botão, já vi. Caiu e não consegui encontrar outro igual. A senhora vai querer criar uma briga comigo, já vi tudo.
- Que mania essa de se queixar dos brasileiros. Tá todo mundo de carro novo na rua, não está? E ficam se queixando. Não vejo ninguém passar fome.
- Gosto de comer bem, e muito. Repito mesmo qualquer prato. E não como fora não, tem muita sujeira na comida que servem nos restaurantes. Imagina que outro dia comprei um bolo que estava com cascas de queijo na massa. Vai ver que era pra aumentar o peso. Que nojo. Fui na padaria reclamar, ora se fui. Disse pro dono: chama a atenção do padeiro.
- Faço belos jantares pra mim toda noite. Quando alguém me liga, aviso que se quiser jantar comigo é só aparecer... Hoje, minha senhora? Não, hoje não vou fazer jantar não, nem adiante se convidar...
- A senhora está guerreando comigo de novo? Vai te catar, vai.
- O que eu estava falando mesmo? Ta vendo? Se o senhor me interrompe, eu esqueço o que estava falando. Agora não adianta mais, esqueci e pronto. Venho esquecendo as coisas desde que fui assaltada e levei um tombo. Tenho que ir falar com o Serra. É, o governador.
- Como, vocês já vão embora? Ah, vão entrar na consulta, ta bom. Volta depois pra gente conversar mais um pouco.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Conversa de bar

Thays Morales

Uma cerveja estupidamente gelada... Enquanto o garçom se afasta para atender ao meu pedido, olho ao redor do bar quase vazio àquela hora. Mas que estranho, não entendi porque estava assim, tão deserto o bar. Fui lá tantas vezes e nunca vi o local desse jeito. Logo que o garçom chega com a cerveja, minha curiosidade me impele a perguntar o que tinha acontecido aqui.
Ele, com um ar de vergonha e constrangimento, me relata tudo em detalhes:
--- O senhor não sabe?
--- O que?
--- Faz uns dias, aqui mesmo na mesa em que o senhor está um crime aconteceu!!!
--- Meu Deus!!! Por que? Como foi?
--- Uma coisa esquisita. Foi por ciúmes.
---- É? Não me fala...
---- Sim, só que ciúmes de homem por homem. Tenho até vergonha de contar.
---- Por favor, conte.
---- Chegou no bar um casal, homem e mulher. Até aí, tudo normal, né? Estavam tomando cerveja, a mesma marca que o senhor toma, conversando, pareciam namorados.
---- Sim?
---- Em outra mesa, um homem de uns 40 anos, bem apessoado, não tirava os olhos do casal. Encarava mesmo, sem disfarçar. A moça percebeu e perguntou pro namorado se ele conhecia o homem, ele disse que não. Um pouco depois, ela levantou e foi ao banheiro...
---- E, depois, que aconteceu?
---- O senhor não vai imaginar!!! O homem da mesa em frente levantou, caminhou em direção ao rapaz, parou e perguntou: - “Você lembra de mim?”

Eu ouvi tudo enquanto levava mais uma cerveja pra mesa dele. O rapaz respondeu:
- “Sim, perfeitamente, mas preferia não lembrar. E acho melhor você ir embora que a minha namorada já está voltando”.
O homem retrucou: - “Namorada? Então, agora gosta de mulher? Que novidade é essa? Ela vai saber quem você é”.
O rapaz implorou: - “Por favor, não conte nada, te peço em nome dos velhos tempos”.
O homem continuou olhando pro rapaz, olhou pra mulher que já tinha voltado, e só deu tempo a ela de perguntar: - “Quem é você?”.
Foi quando o homem disse uma frase que nunca pensei ouvir, em toda minha vida de garçom:
- “Ele é o meu homem, e se não for meu, não será de mais ninguém.
Depois disso, olhou pro namorado da moça, tirou uma arma da cintura, escondida embaixo da blusa, e deu um tiro certeiro no coração do rapaz. . Em questão de segundos, o sangue se espalhou pela mesa do bar, se misturando às pequenas poças de cerveja, estupidamente gelada, da mesma marca que o senhor toma.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

DICAS DE ESCRITORES DIVERSOS PARA ESCREVER MELHOR

É na vida que está a maior parte do material literário. As histórias estão bem próximas. Use a memória sem medo.

O que oferece o maior aprendizado para o escritor iniciante é a própria vida. Vá fundo e dê vazão às suas emoções pessoais.

Um escritor deve conhecer bem o seu ofício. Estude muito.

Carregue sempre caneta e papel no bolso - ou agenda eletrônica: anote tudo o que pensa e quer.

Leia muito, sem preconceitos: os clássicos e os contemporâneos, os brasileiros e os estrangeiros. Não deixe de ler o que você realmente gosta, na hora e no ritmo que quiser. E sempre guiado pelo prazer - quando a leitura parecer pura obrigação, esqueça.

Escreva regularmente e deixe os textos descansando. Volte a eles de tempos em tempos e os reescreva.

Não acredite no mito de que quanto mais louco você for e mais sofrimento tiver, melhor será sua literatura. Um escritor mediano com a cabeça no lugar tem mais chances do que um maluco.

Seu estilo é seu maior patrimônio. Ouça sua voz e seja fiel a ela. Não imite os escritores que você ama (nem os que você odeia).

Se você transita entre muitas linguagens (romance, conto, poesia, teatro, etc.), cuidado. No começo da carreira, é mais prudente escolher um caminho e aprofundar-se nele do que ficar pulando de galho em galho. Deixe a diversificação pra mais tarde.

A função da boa literatura não é entreter e deleitar, mas inquietar e provocar o leitor.

Oficinas literárias são boas experiências, mas é preciso saber tirar o melhor delas.

Em suas leituras, preste atenção a todo tipo de recurso narrativo que os outros escritores usam. Veja como mexem com estrutura, trama ou ausência de trama, construção ou não de personagens, ponto de vista narrativo, etc. ,

É útil saber o que os outros escritores pensam sobre seu ofício. Descubra o que eles dizem a respeito em entrevistas e depoimentos. Se possível, converse com muitos deles, mesmo que tenha de vencer uma natural tendência dos literatos para a introversão e o isolamento.

Coisas de Criança

Coisas de criança
Paulo Mauá

Era uma vez a prefeitura, a praça da matriz com árvores copadas, o coreto, a escola com as crianças correndo no recreio, o pipoqueiro na esquina, a mercearia com as cores das frutas, o banco e o gerente de terno, as senhoras fofoqueiras nas janelas frente à calçada principal, o fazendeiro local e suas botas e todos os personagens de um conto da carochinha da singela vida naquela pequena cidade do interior.

O padre, de barriga avantajada e calvo, após a missa do final da tarde, começa a fechar lentamente as janelas da capela quando percebe que alguém está ajoelhado no confessionário. Parece uma criança. Pára o que está fazendo e desloca-se para o local onde o pecador mirim aguarda sua presença.

- Boa tarde, filho.
- Oi, padre Julião, é o Jorginho.
- Não precisa dizer o nome, tá bom ? Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Padre Julio estava acostumado com a informalidade na confissão inocente das crianças constantemente perseguidas pelo sentimento de culpa implantado pelas freiras do Instituto Liceu, o único colégio da cidade.

- Preciso confessar um pecado bem grande para o senhor, Pe. Julião. Um não, vários.
- Não consigo imaginar o seu coraçãozinho com tantos pecados, mas pode falar que estou aqui para ajudar você.
- Tenho mania de roubar coisas dos outros.
- Toda criança sempre pega alguma coisa aqui, ali. Isso é normal. Eu mesmo roubava galinhas do sítio vizinho para ter o que comer em casa. Mas me conta: o que você roubou ?
- Um monte de coisas: o canivete do seu Pacheco, o catavento do Paulinho, meu amigo da escola, a caixinha de cotonete do meu irmãozinho, o cachorro do guarda da estação, a coleira do cachorro dele, até a calcinha da tia Neca, calcinha não, calçona...
- Caramba... – exclamou o vigário tentando demonstrar surpresa e preocupação com os delitos do menino.
- Ah, tem a cesta de carambolas, caquis e cerejas da venda da dona Mirtes, a castanhola da Juanita, o cinzeiro da pensão Paiva, o cartucho da impressora da prefeitura, na verdade, os dois cartuchos, o colar da minha avó, o curió do seu...
- Tá bom, Jorginho. Já entendi.
- Entendeu nada, seu padre. Eu tenho essa vontade maluca que me queima o peito e eu vou pegando tudo. Tudo não: só pego coisas que começam com a letra C.
- Ahn... – exclamou o padre, agora realmente surpreso.
- Isso é normal ? Eu vou pro inferno ?
- Não sei se é normal, só sei que é pecado roubar coisas dos outros e você não vai pro inferno. Procure pensar em outras atividades que possam desviar a sua atenção dessa vontade incontrolável. Evite colocar as mãos nas coisas dos outros, qualquer coisa, começando com C, com B, não interessa a letra. O mais importante é você devolver tudo e se arrepender do que fez. Posso contar com você ?
- Pode sim. Quantas ave-marias tenho que rezar para ficar curado ?
- Reze 10 Ave-Marias, 5 Pai-Nossos e o ato de contrição ao final. Mas o mais importante é não fazer de novo e arrepender-se.
- Pode deixar. O senhor vai contar para alguém o que eu fiz ?
- De jeito nenhum, Jorginho. O que se comenta aqui, fica comigo e com Deus. Nem conte para os outros que eu roubava galinhas quando era criança, tá ?
- Puxa, estou muito contente. Estou aliviado. Deixa eu dar um abraço no senhor.

Antes que Padre Júlio pudesse responder, o menino levantou rapidamente do genuflexório e entrou no confessionário dando um abraço forte naquele senhor de batina. Ah, se todos os pecados do mundo se concentrassem nesses detalhes infantis.

Enquanto fechava o restante das janelas, o padre ainda ouviu os passos fortes e ligeiros do menino indo embora. Na penumbra foi deslocando-se até o pórtico da entrada da igreja e curiosamente não encontrou as chaves dos portões no bolso da batina. Onde foi parar o molho de chaves? Atônito, vasculhou o chão próximo, correu os olhos pelo corredor central, procurou, procurou e nada. De frente para o altar, reparou que mais alguma coisa iria fazer falta na celebração do dia seguinte.

Em casa, Jorginho abre seu baú de tesouros furtados, coloca as chaves do padre ao lado do coador de café da dona Rosinha do empório e contempla sua mais nova conquista como um troféu de ouro: o cálice da missa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

BATE-BOCA

Trabalho coletivo

- Monalisa, você ficou sabendo do bate boca da Dona Ester com a vizinha dela?
- Não, sobre o que foi?
- Foi sobre o rendez vous da madrugada. Uma festinha particular que fizeram.
- Desta vez não ouvi nada. Nem o bate boca, nem o rendez vous. O que elas falaram?
- Falaram que o seu marido estava lá.
- Impossível! Eu estava com ele assistindo televisão e... Ah! Não... Estava com seu irmão gêmeo. Sempre os confundo.
- E agora, o que pretende fazer?
- Não sei, pois se for tirar satisfação com meu marido vou ter que falar o que fiz esta noite com o irmão dele. É melhor contar para ele que o irmão estava lá. Assim ele não poderá se entregar.
- Que rolo, menina. Você vai envolver toda a família nessa história. Vai ver você estava com o primo dos dois, isso sim. Chapada como devia estar, nem reparou que seu marido e seu cunhado tinham se mandado. Eu hein? Te vira.
- Me virar como? O que está feito está feito mas, pensando bem, o que os olhos não vêem o coração não sente. Acho que vou deixar tudo como está.
- Pôxa, mas não tem como tapar o sol com a peneira. Depois do feito, certamente haverá frutos a serem colhidos. E se não forem tão amargos, dá até para engolir, deitar e rolar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A VINGANÇA DA ENTEADA

Ttrabalho coletivo


─ Porque você, uma menina tão bonita, fala esses palavrões? Essa situação está me deixando tensa...
─ Que se dane, Dona Tânia, liberdade não é só uma calça jeans desbotada não. Também é falar o que se quer.
─ Mas é que você emprega mal os termos. Irrita-me mais a falta de concordância do que os termos chulos que você usa.
_ A senhora não sabe o que quer. Uma hora se queixa dos meus palavrões, depois do meu português. Que se dane a senhora!
─ Muito bem, eu quero mesmo te incomodar para que você deixe a casa de seu pai, ou melhor, a minha casa.
_ Ao contrário, quem vai sair é você. Se quiser, te ajudo a fazer as malas, afinal, 14 ligações perdidas do “macaquinho” no seu celular vão deixar papai bem contente!
─ Pu-ti-nha! Você pretende contar tudo ao seu pai?
─ Sim pretendo.
─ Está bem. Não conte nada a ele, eu vou arrumar minhas coisas e vou embora!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

BATE BOCA – 1

TRABALHO COLETIVO DO LABORATÓRIO DO ESCRITOR

- Tá bom, tá bom, já entendi tudo. Férias conjugais, é isso que você quer? Assim será...
- Não é bem assim, querida, mas cá entre nós, e que ninguém nos ouça, eu ando meio de saco cheio das suas manias.
- Você está ficando muito sistemático. Não vou tolerar isto por muito tempo. Sugiro você passar uns dias na casa de sua mãe. Assim ela lava, passa e faz suas comidinhas prediletas. Para mim serão férias mais que merecidas.
- Você não entendeu mesmo. Não quero discutir. Só quero férias conjugais. Agora.
- Ok, então eu posso passar as minhas férias na casa do meu amigo.
- Amsterdã sempre me pareceu um lugar ótimo para relaxar. Minha mamãe adora, querida.
- Sua mãe é mesmo saidinha. Na idade dela deveria gostar de Caldas Novas e não Amsterdã.
- Você está fugindo do assunto.
- Não estou não. Se você quer ir para Amsterdã então vai. Eu vou sumir nos próximos dez dias e nos falamos na volta.
- Então ficamos assim. Você embarca para Amsterdã e eu para Paris. Aproveito para umas comprinhas com seu cartão de crédito.
- Ok, fechado. Nos encontramos em Londres, então. Como é mesmo o nome daquele PUB em que nos conhecemos, meu bem?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

MISERÊ

Por Antonio Taveira

- Que miserê heim patrão!

As palavras chegaram como crítica ácida. O café da manhã para comemorar a conclusão daquela etapa da obra poderia não ter acontecido, mas achou interessante unir os operários e agradecer a todos pelo sucesso. Seria uma coisa simples: sanduíches de presunto e queijo, algumas bolachas doces e salgadas, um bolo de chocolate, sucos, leite e café, um bom cardápio para a reunião. Não achou necessário contratar um bufê para isso.

Nesse momento, sua memória o levou a um passado distante, recém chegado ao Brasil ainda menor de idade, vindo sozinho de Portugal, filho caçula de uma grande família. A vontade de ter uma vida melhor e vencer em novas terras eram seu motor propulsor. Ah..., se naquele tempo tivesse um pouquinho da fartura daquela mesa. Quantas vezes passou fome ou comeu apenas um pãozinho seco durante o dia.

O início, sem qualificação, era feito de um bico aqui, um bico ali, até conseguir uma vaga como garçom, onde o problema da comida pelo menos estava resolvido. Mas a garra e a visão estavam no seu caminho. Queria ser patrão e trabalhou para isso. E quando a oportunidade bateu à sua porta, não deixou escapar. O dono, um senhor idoso e já cansado de tanto trabalhar, lhe ofereceu a venda do restaurante em condições de pai para filho. Aceitou de imediato. E trabalhou mais ainda.

Em uma viagem ao interior, o destino lhe prepararia uma surpresa. Naquela pensão, conheceu uma jovem muito bonita. A paixão se transformou em amor e o casamento selou essa união. As responsabilidades aumentaram e os filhos vieram. Três. Como fazer para criá-los com dignidade e boa instrução, para não passarem as agruras que ele passou no início da vida?

Nada tinha sido fácil. De restaurante para estacionamento, para outros negócios, até entrar no ramo da construção, construindo casas, sobrados e pequenos prédios. Como dedicação e trabalho são sinônimos de sucesso, sua empresa se transformou em uma grande construtora onde emprega várias pessoas. Resumindo: numa confortável situação financeira.

Os filhos receberam uma boa educação, se formaram e hoje caminham com as próprias pernas. Estão casados, presentearam-no com vários netos, que ele adora e enche de mimos junto com sua esposa.

Como num flash, tudo isso passou por sua cabeça, e pensou: - Acho que essa pessoa nunca passou necessidade na vida e não dá valor às coisas que recebe.

- Tem razão! – respondeu - Quem sabe no final da próxima etapa, trabalhando com mais eficiência, consigamos que nosso café da manhã não seja tão misere quanto este.

RESSACA

Por Antonio Taveira

Os Institutos de Meteorologia já haviam previsto: nos próximos dias haveria uma forte ressaca nas praias de Santos e São Vicente. Que aos olhos de todos transformou-se em um magnífico espetáculo de alegria para uns e tristeza para outros.

RESSACA é, originalmente, o movimento anormal das ondas do mar sobre si mesmas na área de arrebentação, causada por rápidas e violentas mudanças climáticas.

Apesar de nossas praias estarem dentro de uma baía, a maré veio com muita força. Na Ponta da Praia, as paredes dos calçadões foram reforçadas com mais pedras e não se fez mais estragos como no passado não muito distante. Como temos uma faixa de areia muita larga, da Ponta da Praia à Praia do Itararé, as fortes ondas puderam bater à vontade, formando grandes sulcos que demoraram alguns dias para sumir, para azar dos jogadores de tamboréu e de minitênis que não tinham areia suficiente para armar suas redes.

A nossa encantadora Ilha Porchat assistiu a todo esse espetáculo com (não usar virgula entre o sujeito e o verbo, eis uma regra) visão privilegiada, do lado de São Vicente e Santos, observando surfistas que, atraídos pelas enormes ondas, desafiavam-nas com suas pranchas de vários tamanhos e seus movimentos radicais, transformando essas praias em um enorme formigueiro colorido.

Do outro lado, as fortes ondas sem espaço nas areias para se espreguiçar, batiam fortemente contra o calçadão da praia do Gonzaguinha, proporcionando nuvens de espuma e fazendo correr quem por ali passava. A tristeza ficou logo mais à frente, no longo deck do pescador, que frágil perante a força das ondas, acabou destruído. Desolados, os pescadores não acreditavam no que acontecera com seu local de diversão.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Continuidade do Laboratório do Escritor

Parceiros queridos:

Conforme entendimentos que vimos mantendo nos nossos encontros, encaminhei à REALEJO LIVROS proposta dando continuidade ao LABORATÓRIO DO ESCRITOR, agora em Módulo Avançado, para quem já participou das nossas oficinas literárias.

Nossa idéia é recordar o programa trabalhado e incentivar vocês a apostar em projetos mais ambiciosos de escrita que podem resultar na publicação de livros individuais ou coletâneas.

Nossa sugestão para o LABORATÓRIO DO ESCRITOR – MÓDULO AVANÇADO é a que segue:

PÚBLICO ALVO
Grupo que já participou do LABORATÓRIO DO ESCRITOR e um ou outro aluno das oficinas anteriores que tenham objetivos comuns.
FORMATO DAS AULAS
· Número máximo de vagas: 12.
· Teremos oito aulas, conservando o mesmo horário do curso anterior - sábados das 15 às 17 horas. Datas: 08, 15, 22 e 29 de agosto e 05, 12, 19 e 26 de setembro.
· As aulas serão eminentemente práticas e além dos exercícios de sensibilização individuais e em grupo, realizaremos atividades individuais de produção escrita.
· Os trabalhos produzidos serão analisados em conjunto e receberão criticas do orientador e sugestões do grupo.
· Os melhores trabalhos semanais ficarão á disposição para leitura no blog da Realejo, que deverá se constituir em um apoio para nosso trabalho.
COMO TRABALHAREMOS?

· Observando como se dá o processo de criação de uma obra literária atraente;
· Incrementando um interesse especial pela literatura e pela construção de textos literários e explorando suas possibilidades criativas;
· Mostrando a importância de ler por prazer, dos autores clássicos aos contemporâneos:
· Demonstrando que escrever é um processo, uma técnica que envolve treinamento;
· Mostrando a importância de escrever e reescrever, de dar descanso aos textos;
· Discernindo gêneros literários - crônica, conto, novela, romance, biografia – e orientando a produção de trabalhos dentro dessas características;
.
Espero por vocês. Grande abraço,

Eliana Pace

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Não nos deixeis cair em tentação

E aí, Santo Antonio, só porque virei balzaquiana não me atende mais? Tem regras especificas para mocinhas casadoiras? Se sim, podia avisar, eu não perdia mais tempo com velas, flores, orações. Podia dar uma indicação de que outro santo é que resolve problemas de mulheres desamparadas, solitárias, sonhadoras, carentes, que porra que eu seja, cara, desculpe, meu santinho, mas quem sabe no tranco o senhor me ouve?

Já nos conhecemos de outros carnavais. Há muitos e muitos anos, andei amarrando você, desculpe, o senhor, de cabeça para baixo com uma fita vermelha e o deixei pendurado junto às minhas roupas. Tá bom que o homem que você, desculpe, o senhor, colocou no meu caminho não era lá essas coisas, mas eu não quis fazer pouco da sua escolha e entrei de cabeça no relacionamento. Deu no que deu. Num casamento complicado com um fulano perdido, carente, sem eira, muito menos beira. Não sei se o senhor se arrependeu dessa indicação e soprou no meu ouvido uma solução. Ou se fui eu que decidi ir contra a sua vontade e partir para outra. De todo modo, já lhe agradeci, certo?

Você também, desculpe, o senhor, não podia saber que sou volúvel e tenho sempre uma paixão recolhida por um ou outro. Já pedi que o santinho jogasse em meus braços o Orlando, ou o César, poderia ser o Rubens, o Milton, quem sabe o Jorge, o Afonso? Cá entre nós, devo ter deixado você, desculpe, o senhor, louco com tanta indecisão. Se os céus tivessem lhe indicado que um deles me servia, ia forçar a barra, não é mesmo? Como não insistiu, acabei desistindo deles, um por um.

O tempo foi passando, fui me divertindo à beça sem que o senhor jamais ficasse sabendo como, mas agora estou de volta. Sei que sua fila está grande, que pras mocinhas de hoje é mais fácil, você, desculpe, o senhor coloca montes de ficantes em volta delas e deixa que elas escolham o melhor pretendente, não deve ter muito preconceito com o que acontece em pleno século 21, não é? Mas nós, as mais experientes, sem tantos atrativos agora, como é que ficamos?

Olha, não ando pedindo mais nada a você, desculpe, ao senhor não, e há muito tempo. Deu pra notar? Fiquei de mal por minha conta. Desta vez, minha tortura foi pior: coloquei sua imagem emborcada em um copo d´água e o deixei sem qualquer oração. Não sei se foi por que você, desculpe, o senhor, estava se afogando ou por causa da minha antiga insistência, agora apareceu um homem na minha vida. Leva jeito de ser legal, boa gente. Veio a seu mandado? Se sim, aceito, vamos ver no que dá. Mas tem um detalhe. O que faço agora com aquele outro maluco que pega no meu pé há mais de ano e até hoje não sabe o que fazer comigo? Foi encomenda sua também? O pior é que é bonito, sedutor pra caramba mas cheio de defeitos, se eu resolver encarar de fato vai dar um trabalho...Pelo menos, Santo Antonio, livrai-me dessa tentação. E ficamos quites...

domingo, 14 de junho de 2009

OS DOIS LADOS DA FESTA

Ana Lucia dos Santos

Copas de árvores, de um verde escuro e forte, hoje tem matizes mais definidas. Flores amarelas salpicando o verde também ficam mais exuberantes. Vejo os coqueiros com galhos pendendo como braços estendidos, a proteger e a ungir areias e pessoas.

Hoje é dia de maratona. Corre, corre, sua o corpo, lava a alma. Corre, corre para onde? Não precisa saber. Apenas corre, arrasta a energia dos que olham e dos que passam. Misturam-se corpos, suores, gente.

Balões azuis no céu, alegria no ar. Crianças pululantes brincam de correr. Clareia o sol as imagens felizes. Generoso, ilumina gente determinada, ilumina o esforço admirável.

Festa na rua, festa na praia. Vem a certeza de que os jardins sorriem também. Raios de sol penetram nas plantas e flores sem pedir licença. Pra que pediriam?

Vejo homens fortes, homens bonitos, mulheres também. Homens não tão fortes correm, correm. Lavam o corpo de suor, lavam a alma. Quero também lavar a alma, pedir a calma que vem depois.

Um pouco mais longe, os ares e a energia da festa se diluem. Os generosos raios de sol, que aí também não pedem licença, inundam o asfalto que já queima. Impacientes e frenéticas buzinas de carros, alheias à festa, enlouquecem.

Homens e mulheres, nem fortes nem felizes, inundam um trânsito que não anda. E se perguntam: que cidade é esta, que caos é este, que dia é este!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

44º Festival de Música e Poesia de Paranavaí

F E M U P
44º Festival de Música e Poesia de Paranavaí
41º Concurso Literário de Contos
Dias 12, 13 e 14 de novembro de 2009

01 - Da promoção:
O FEMUP é uma promoção da Prefeitura de Paranavaí através da Fundação Cultural, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura.

02 - Da realização:
O Festival será realizado nos dias 12, 13 e 14 de novembro de 2009 a partir das 20h no Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa.

03 - Dos objetivos:
Promover e intensificar intercâmbios de natureza artístico cultural; descobrir e valorizar novos talentos.

04 - Das inscrições:
a) PODERÃO INSCREVER-SE TODOS OS ARTISTAS RESIDENTES OU NASCIDOS NO TERRITÓRIO NACIONAL;
b) Inscrições abertas até o dia 29 de agosto de 2009;
c) Para inscrição, conta-se a data de postagem dos trabalhos;
d) Cada autor poderá inscrever até 02 trabalhos inéditos, por categoria;
e) Para a inscrição dos trabalhos, deverão ser enviadas:
06 cópias de cada trabalho apenas com o nome da obra e pseudônimo do autor.
Ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada;
Atenção: Para cada modalidade deverá ser preenchida uma FICHA distinta;
COLOCAR TUDO DENTRO DE UM MESMO ENVELOPE.
f) O mesmo pseudônimo deve ser utilizado para todos os trabalhos e em todas as categorias;
g) Os Contos não deverão exceder a 10 (dez) folhas;
h) Todas as músicas inscritas deverão ser gravadas em CD (gravação de boa qualidade para, caso classificação, compor o CD do Festival);
j) Os trabalhos deverão ser enviados para:

Fundação Cultural de Paranavaí
Rua Guaporé, 2080 - Cx. P. 511
CEP 87705-120 Paranavaí - PR

Informações: (44) 3902-1128 - cultura@fornet.com.br - www.novacultura.com.br

05 - Do julgamento dos trabalhos:
Serão formadas Comissões Julgadoras específicas para cada modalidade e as decisões tomadas por essas Comissões serão irrecorríveis.

06 - Da classificação
Música: 30 músicas, sendo 15 da fase Regional e 15 da fase Nacional;
Poesia: 12 poesias, sendo de 03 a 05 da fase Regional e de 07 a 09 da fase Nacional;
Conto: 08 contos, sendo 03 da fase Regional e 05 da fase Nacional.

Participam da fase Regional, as cidades que compõem a Regional de Cultura da AMUNPAR.
TODOS OS TRABALHOS CONCORRERÃO EM NÍVEL NACIONAL.


PREMIAÇÃO


POESIA:
Certificado de participação (para todas as classificadas); 10 Antologias FEMUP/2009 (para todas as classificadas); 01 CD FEMUP/2009/Poesias (para todas as classificadas);
1º Lugar: R$ 2.000,00 + Troféu "Barriguda”
2º Lugar: R$ 1.700,00 + Troféu “Barriguda”
3º Lugar: R$ 1.300,00 + Troféu “Barriguda”
4º Lugar: R$ 1.100,00 + Troféu “Barriguda”
5º Lugar: R$ 1.000,00 + Troféu “Barriguda”

CONTO:
Certificado de participação (para todos os classificados); 10 Antologias FEMUP/2009 (para todos os classificados);
1º Lugar: R$ 2.000,00 + Troféu "Barriguda”
2º Lugar: R$ 1.700,00 + Troféu “Barriguda”
3º Lugar: R$ 1.300,00 + Troféu “Barriguda”
4º Lugar: R$ 1.100,00 + Troféu “Barriguda”
5º Lugar: R$ 1.000,00 + Troféu “Barriguda”


PRÊMIO REGIONAL DE CULTURA DA AMUNPAR:

POESIA
Todas as classificadas receberão: 01 CD FEMUP/2009/Poesias e 10 antologias FEMUP/2009
1º Lugar: R$ 1.000,00 + Troféu "Barriguda”
2º Lugar: R$ 800,00 + Troféu “Barriguda”
3º Lugar: R$ 500,00 + Troféu “Barriguda”

CONTO
Todos os classificados receberão: 10 antologias FEMUP/2009
1º Lugar: R$ 1.000,00 + Troféu "Barriguda”
2º Lugar: R$ 800,00 + Troféu “Barriguda”
3º Lugar: R$ 500,00 + Troféu “Barriguda”

FICHA DE INSCRIÇÃO

MODALIDADE: ( ) POESIA ( ) CONTO ( ) MÚSICA

(Atenção: Para cada MODALIDADE deverá ser preenchida uma FICHA distinta)

Título do Trabalho 1):

Título do Trabalho 2):

Nome do Autor:

Nome artístico do Autor:

Pseudônimo:

Endereço:

CEP: Cx. Postal:

Cidade: UF:

Telefone (indispensável) DDD: ( )

E-mail:

Breve Currículo (para todas as modalidades)














Esta ficha pode ser reproduzida.



AUTORIZAÇÃO

Autorizamos a utilização dos trabalhos relativos à música, conto ou poesia por nós inscritos no 44º FEMUP para publicação de livros, CD's ou quaisquer outros meios de divulgação do evento.
Declaramos conhecer e concordar com o regulamento deste Festival.

__________________,_____de____________de 2009.




Assinatura do autor

quarta-feira, 3 de junho de 2009

SEM PALAVRAS

Crônica de Eliana Pace

Acordo cedo, a mente não me permite continuar dormindo depois das 8 horas da manhã, mesmo que chova a canivete. Bocejo, me espreguiço, faço uma breve sessão de alongamento e pulo da cama. Ligo o rádio enquanto preparo o café e a noticia me prostra: um avião repleto de passageiros caiu no Oceano Atlântico. Não há possibilidade de sobreviventes. Viro uma estátua. Não sei se aumento ou reduzo o volume do rádio, se contenho as lágrimas que insistem em brotar dos meus olhos, se embarco nos sonhos que levavam aqueles homens, mulheres e crianças à Europa, se abençôo o fato de estar quietinha em casa, se amaldiçôo os deuses por encurtarem tantas vidas. A melancolia me invade, vai continuar a meu lado horas a fio, um olho no computador, o ouvido na televisão.

Leio que um casal estava seguindo em lua de mel para a França. Saíram da festa de casamento praticamente para o embarque. Seus sonhos foram parar no fundo do mar. Sinto-me uma idiota por não ter acreditado nunca no amor, por ter deixado passar tantas emoções, por não embarcar de armas e bagagens em nenhuma delas como devem ter feito o rapaz, a moça. Choro por eles que se amavam.

Um grupo de executivos de sucesso voltava para Paris depois de ganhar quatro dias de férias no Rio de Janeiro, com direito a acompanhante. Tinha se extasiado com a cidade, naturalmente. Levavam em suas câmeras ou celulares imagens do Cristo Redentor, do Pão de Açúcar, de um show de mulatas. Lembro que também eu fui uma profissional de sucesso que, a exemplo deles, curtiu o merecimento de sua competência com uma viagem de sonho. Choro por eles que foram levados por um raio ingrato, uma pane, uma bomba, quem sabe, antes de poderem mostrar aos colegas os rostos felizes.

Uma família gaúcha, feita de profissionais muito bem sucedidos, cada um em sua área, ia festejar os bons tempos em um tour pela França, Grécia, Alemanha. Sabe-se lá quantas peripécias para esvaziar uma agenda feita de consultas, cirurgias. Recordo as vezes em que fiz da minha vida em família um circo. Em que lotei tanto minha agenda com compromissos supérfluos só para fugir de carinhos e cobranças afetivas. Choro pela família que continuará unida no fundo do mar.

E choro compulsivamente pelo fedelho que resolve brincar de ser piloto de Formula 1 numa rua qualquer da periferia de São Paulo. E que na mesma madrugada em que um avião cai no mar levando tantas vidas, arremessa seu carro, qual uma bola de boliche, sobre um grupo de jovens que ri depois de uma noitada, deixando mortos, na calçada, dois rapazes.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pão de Mel

Rosi Caobianco
Maio/2009

Huuumm... Que delícia!
Sabor irresistível, da malícia.
Em um recheio quase perfeito e singular,
Unido com cobertura de chocolate, faz carícia e sonhar.
Derrete no calor do pensamento,
Aproxima-se então pelo encantamento.
Transpassa pelos corpos,
Acorda os mortos.
Envolve todo um mistério,
Quando se aprende ainda no magistério.
O toque suave faz esquecer,
Nas calorias sei que vou me envolver.
Camada por camada, deixar fluir,
Palavras distorcidas começam a se unir.
Na receita desta magia sendo preparada,
Sem medo, sempre que bem manipulada.
Misturados entre carícias, corpos e pensamentos,
Acabam na volúpia de muitos e vários momentos.
Com prazer, sei que vou degustar só um pão de mel,
Em pedaços de chocolate, recheio e tormento, deixo o céu.
Pecado também combina com prazer, chocolate com êxtase,
Mas quem ainda não se deu a chance?
De saborear e apreciar... Apenas um pedaço,
Logo ali, como um recado no espaço.
E de ser feliz, com aquele se que diz,
Um simples e mero aprendiz!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Estão abertas as inscrições para o FEMUP

Interessados em participar do 44º FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí e 41º Concurso Literário de Contos, a serem realizados nos dias 12, 13 e 14 de novembro de 2009, podem se inscrever até o dia 29 de agosto.

SÃO R$ 31.750,00 DE PRÊMIOS EM DINHEIRO!

Realizado em Paranavaí há 43 anos, o FEMUP, um dos festivais culturais mais tradicionais do Brasil, é uma iniciativa da Fundação Cultural de Paranavaí. O objetivo do evento é intensificar o intercâmbio artístico entre todas as regiões do País, além de descobrir e valorizar novos talentos.

Para participar, o interessado precisa ser brasileiro, independente de estar no país ou não. As inscrições são gratuitas.

O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis para download no site www.novacultura.com.br

Mais informações em: (44) 3902-1128 ou cultura@fornet.com.br

Participe e boa sorte!

PARCERIA DELICATTA E SCORTECCI

O Projeto Delicatta terá agora, no ano em que completa 5 anos, um selo editorial, parceria feita com a Scortecci que tem como objetivo maior a edição e a publicação de antologias e de livros solo de autores participantes do projeto literário em antologias.

O autor poderá contar com toda estrutura de Produção Editorial e Gráfica, além, de comercializar o livro através da Livraria Asabeça e também através do site da Livraria Cultura
Benefícios aos autores do Projeto Delicatta

a) Edição e Publicação de Livros com uso do Selo Editorial de co-edição.
b) Desconto de 5% (cinco por cento) que dar-se-á na solicitação de orçamento e só será aplicado com autorização por escrito do Projeto Delicatta.
c) Parcelamento em até 8 (oito) vezes sem juros
1) ISBN, Ficha Catalográfica e Depósito Legal
2) Documentação para Registro de Direito Autoral junto a FBN.
3) Diagramação, Provas e Arte Final de Capa
4) Convites ou Marcadores com Selo Editorial de co-edição (250 unidades)
5) Catálogo de Publicações na Internet com Link de Comercialização na Livraria Asabeça
6) Divulgação da obra na Internet nos Portais Amigos do Livro e Scortecci.
7) Comercialização da obra pela Internet nas Livrarias Cultura e Asabeça
8) Espaço em Feiras e Bienais que a editora venha a participar pelo período de 5 anos.
Participe da Antologia Delicatta IV que terá seu lançamento e tarde de autógrafos na Livraria Cultura e usufrua dos benefícios para editar seu livro solo.

www.antologia-delicatta.com

quarta-feira, 20 de maio de 2009

MAR E ONDAS

Por Rosi Caobianco
Maio/2009

Irmanada de sentimentos adormecidos, reflito
Camuflo o que tenho de melhor
Medo de desabrochar? Talvez...
De se descobrir? Talvez...
De um dia não acordar? Talvez...
As ondas vêm e vão no mesmo compasso.
Ritmadas, seguem sua rotina
O mar movimenta-se tranquilamente
Numa sinergia quase perfeita junta-se ao horizonte
Com os sentimentos presentes,
Guarda seus segredos,
Impõe limites.
Irado, mostra seu rompante.
Contrariado, torna-se perverso,
Apresenta suas garras,
Maltrata e inibe
Aí sim, vem o medo de não voltar,
De se acovardar,
Sem coragem para perceber
O quão pouco nos basta
Um olhar...
Um carinho...
Um abraço apertado...Uma melodia...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

MAR REVOLTO...

Por Rosi Caobianco

Uma mistura de ansiedade e apreensão me envolveu ao observar a aspereza com que o mar batia nas pilastras e invadia as calçadas da Ponta da Praia em Santos. Caminhava casualmente, um final de tarde, e diante do que vi, não resisti. Parei para observar e fotografar.

Deixou-me boquiaberta a sensação de perigo que, logo em seguida, transformou-se em arte refletida nas lentes de uma câmara fotográfica. As ondas do mar espumavam com a volúpia da natureza e exteriorizavam pelos vincos que se abriam nos espaços escolhidos para fazer-se representar. Prontamente, puderam ser registradas por mim naquele instante de rara beleza. De minuto em minuto, lá vinham elas, cada vez mais iradas, mais fortes, mais transtornadas e loucas para mostrar sua beleza e sua força.

O mar parecia contrariado, demonstrava um rompante como o de alguém que conhece sua capacidade de destruição e queria demonstrar, ali, todo o seu potencial, doesse a quem doesse. Nele pulsa um coração de pedra e, em sua linguagem, mostra sua insatisfação, revolta-se com aqueles que o agridem e enchem de lixo, de pets, de tudo que não contribui com aquele habitat. Evidencia que dentro dele existe vida, seres das mais variadas espécimes, de classes completamente diferentes, cada um na sua singularidade e que interagem entre si. E que também se devoram quando querem lutar pela sobrevivência.

Em determinado momento, pensei: como não respeitar este gigante, esta imensidão que em algum momento contribuirá para com o futuro da humanidade? Ali está, no mar, o maior volume de água do mundo... Neste pedaço do oceano... Soberano e prepotente.

Seguro de si, sabe de sua importância e avisa: Preservem!