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quarta-feira, 22 de abril de 2009

CRÔNICA, O QUE É?

LABORATÓRIO DO ESCRITOR
AULA DE 18.04
ORIENTADORA: ELIANA PACE

CRÔNICA, O QUE É?
· Um gênero híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo, resultado da visão pessoal, particular, subjetiva do cronista ante um fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano.
· Normalmente destina-se à publicação em jornal ou revista mas se diferencia da notícia porque não é feita por um jornalista e sim por um escritor.
· É o acontecimento diário sob a visão criativa do escritor.
· É uma narrativa curta que geralmente tem como ponto de partida um fato real comentado pelo autor, muitas vezes de maneira lírica ou bem-humorada.
· É uma produção curta, apressada, redigida numa linguagem descompromissada, coloquial, muito próxima do leitor.
· Cronistas brasileiros notáveis: Rubem Braga, Fernando Sabino e Luís Fernando Veríssimo, entre outros

DIFERENÇAS ENTRE CONTO E CRÔNICA

A crônica pode receber um tratamento literário. Às vezes, pode ser confundida com o conto. Quando a crônica entra no terreno do imaginário, vira conto.
A crônica é o relato de um flash, de um breve momento do cotidiano de uma ou mais personagens. Uma das finalidades da crônica é justamente apresentar o fato, nu, seco e rápido, mas não concluí-lo.
No conto, as ações transcorrem num tempo maior: dias, meses, até anos, o que não se dá na crônica.
No conto, a personagem é analisada e/ou caracterizada, há maior densidade dramática e freqüentemente um conflito, resolvido em desfecho. Na crônica, geralmente não há desfecho – este fica para o leitor imaginar e, depois, tirar suas conclusões.

Tipos de Crônica: descritiva, narrativa, narrativo-descritiva, reflexiva, lírica, metalinguistica.

terça-feira, 7 de abril de 2009

BIOGRAFIA, POR ELIANA PACE

LABORATÓRIO DO ESCRITOR
AULA DE 04.04
ORIENTADORA: ELIANA PACE

BIOGRAFIA
é um gênero literário em que o autor narra a história da vida de uma pessoa ou de várias pessoas, mortas ou vivas.
a biografia, na maioria das vezes, refere-se à vida de pessoas públicas como políticos, cientistas, esportistas, escritores ou pessoas que, por meio de suas atividades, deixaram uma importante contribuição para a sociedade.
no século XX aparece a biografia romanceada, na qual o autor recria, ficcionalmente, o material documental e de pesquisa coletado sobre a vida dos biografados.
quando o biografado é o próprio autor, temos a autobiografia, que vem a ser a biografia escrita pela pessoa de quem a biografia fala, ou seja, o autor procede ao levantamento de sua própria existência.
A Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado, que tem como objetivo resgatar a memória da classe artística brasileira, selecionou como autores jornalistas. As autobiografias da coleção são relatos na 1ª pessoa.
muitas pessoas conhecidas do grande público (as ditas celebridades) que desejam fazer uma autobiografia, mas não tem habilidade literária, utilizam-se de um profissional ghostwriter (traduzindo, literalmente, escritor fantasma) que escreve a biografia em tom autobiográfico de modo que a autoria passa a ser alegadamente da pessoa biografada.


OBJETIVOS DAS BIOGRAFIAS - Estimular as pessoas que gostam de leitura e literatura a reabilitar, resgatar, documentar, enfim, por meio da narrativa oral e da escrita, a trajetória de vida de um parente mais velho, um amigo especial, um mestre, partindo do princípio de que o universo íntimo de cada pessoa e sua trajetória de vida são especiais para quem com ela conviveu.

A biografia pode resultar em um caderno único ou um álbum ilustrado, em algumas ou muitas cópias em xérox do material ou até mesmo na edição de um livro ilustrado a ser repassado para futuras gerações.

COMO TRABALHAR
· Roteiro
· Pesquisas – situar a ação – data- bairro – cidade – amigos – escola – ruas da infância etc
· Entrevistas
· Duração das conversas

AUTORIZAÇÃO
No caso da imagem, a utilização prescinde de autorização, desde que não tenha caráter comercial e a pessoa famosa não seja retratada em momento de intimidade.
Quanto à intimidade das pessoas célebres, os limites decorrem do interesse público (que também limita o direito à honra) e das exigências de ordem histórica, científica, cultural e artística.
A biografia de Roberto Carlos foi escrita pelo historiador - e apaixonado por música brasileira - Paulo César de Araújo, mas não havia sido autorizada e não agradou ao cantor que, menos de dez dias depois do lançamento, processou o autor e a editora. Uma audiência de conciliação selou um acordo entre as partes mas o livro teve sua edição e venda proibidas e foi recolhido em todo o País. Segundo a Editora Planeta, desde sua publicação, foram impressos 33 mil exemplares do livro. Destes, 22 mil já haviam sido vendidos e os 11 mil que ainda estavam no estoque da editora foram entregues a Roberto Carlos.
Roberto Carlos alegava que sua biografia não tinha sido autorizada e continha inverdades que ofendiam a ele e a pessoas queridas, expostas ao ridículo. “É um absurdo, uma falta de respeito lançar mão da minha história, que é um patrimônio meu. Me sinto agredido na minha privacidade”.
As pessoas que eram a favor da biografia sugeriam que a história de RC também faz parte da cultura brasileira.
Os contrários alegavam que, apesar de ser uma pessoa publica, RC tinha o direito de preservar sua intimidade.
É importante notar que as pessoas famosas, que fazem parte de nossa história política, científica, cultural ou artística, têm uma diminuição significativa no grau de proteção de sua imagem e intimidade.

NARRADOR
· A biografia pode ser escrita na 1ª ou 3ª pessoa.
· Na 1ª pessoa – autobiografia- o narrador pode atuar como protagonista da historia ou um personagem lateral que fica observando. A narrativa na 1ª pessoa dá verossimilhança. É um depoimento confiável, mas limita o campo de visão, não dá para iluminar a historia por outros ângulos.
· A biografia na 3ª pessoa é a forma mais freqüente.
· O narrador na 2a pessoa – tu, você- é raro.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Exercício com palavras

Antonio Taveira

Exercício com as palavras

Xaxim
Amêndoa
Apocalipse
Arrasta – pé
Jabuticaba
Mágoas
Pêndulo
Trevas
Vingança

- Pru causo de quê? – Pergunto Nhô Laudelino.

A festa corria solta. O povoado compareceu todo, afinal, era a festa mais popular da região. Os mais velhos sentados às mesas, degustando os quitutes deliciosos que as barraquinhas se esmeravam em oferecer. Principalmente a torta de AMÊNDOA que Dona Cotinha fazia com todo carinho. Os jovens faziam um ARRASTA-PÉ improvisado no chão de terra batida, ao som do Grupo de Forró do Lobão, e as crianças corriam e brincavam com estalinhos e outras traquinagens. A decoração estava muito bonita como sempre. As bandeirolas cortando todo o espaço da grande barraca de lona, e as bromélias presas aos tuchos de XAXIM, davam uma agradável sensação àquele espaço. E no canto, alheio à toda agitação, aquele grupo de homens bebericava um licor de JABUTICABA e proseava.

- POCALIPSE! – Profético, respondeu Nhô Bento! Todos curvaram-se para a frente para ouvir melhor, seus olhos pareciam que saltariam do rosto.
- Ara , Nhô Bento, que troço é isso? - Emendou Ditinho.
- É o fim dus tempo, continuou Nhô Bento. Todos sabiam que quando o Coroné chegasse lá, sua VINGANÇA, tornaria aquela fazenda que tinha o nome de Santa Gertrudes em TREVAS.
- Conte logo tudo isso. - Apressou Nhô Laudelino.
- Carma sô! As mininas gêmias, filhas do Coroné, sempre foram muito espevitadas e arteras, também pudera, o trabaio que dero pra nasce, levaram sua mãe pra junto di Deus, e dexaro o Coroné criando elas suzinho, além di cuida de toda aquelas terras que pareciam num te fim.
- Tudo começô, quando chegaro aqueles dois peão que vinheram da cidade, e foram trabaiá na fazenda. As mininas, já não tão mininas assim, conheceram os moço e garraram a ouvir suas história da cidade grande.
- Cumpadi! Bote mais um poquinho desse licor que já to cá garganta seca.
- Co essas história, as mininas foram ficando cas cabeça cheias das idéias, di ír pra conhece a tar da cidade grande. Mas vixi que o Coroné ia dexá. Queria as filha bem pertinho dele, e nenhum cabra safado cercano suas querida.
- Mas as mininas foram criando a idéia di fugi cos peão. Prepararo a viage pra uns dias dispois à noite. Iam pra estação, pegá o trem noturno pra capitar.
- O Coroné, continuou, naquela noite, tava se sentindo meio isquisito. Sento na sala e tava tomano uma cachacinha. Com sodade de sua muié, fico prestano atenção no vai e vem do PÊNDULO que tinha no carrilhão di casa, e cabo dormecendo. Cordô di madrugada, e foi vê se as mininas tava drumindo. No quarto as cama tava rumadas e nada delas. Prucura daque prucura dali, preguntô pra todo mundo, e ninguém sabia di nada. Chamo toda peãozada, quando percebeu que os novo peão, também num tavam.
- Descunjuro esses dois se tivero feito arguma coisa cas minhas mininas!
- Botô na caminhonete seus miores home, e foi pra vila, onde fico sabeno que elas tinha pego o trem.
A atenção dos homens estava em Nhô Bento, além da sua voz, parecia que não nada tinham em seu redor. Uma rodada mais de licor foi servida, e ele continuou.

- No caminho pra Capitar, o Coroné ia pensano, pru quê elas tinha feito aquilo? Deve di te sido coisa daqueles dois, num tinha ido muito co jeito deles, mas fôro mandado pelo cumpadi Venâncio, num diviam di se ruim. MAGOADO, foi pensano e alembro qui as minina pediro pra modi vir visita a capitar, mas não dexo, i agora tava rependido.
- Prá sorte du Coroné, numa cidadi du caminho, o trem demoro pra carrega di água e chego trasado, e ele assim qui botoô os pé na istação, viram as mininas saindo do trem cos peão.
- As mininas quando viro o pai, começaro a treme qui nem vara verde, e ele falo:
- Mias fia, quero pedi discurpa por nunca ter trazido oces pra cá, e vamu aproveita qui tamo aqui pra passiá. As mininas deram um largo sorriso e correram abraça o pai.
- Dispois o Coroné virou prus seus home e disse: Leva esses dois, dá uma coça bem dada, e joga eles em quarque lugar e voltem pra fazenda, eu vô fica aqui cás minina.
- Os dois, concluiu Nhô Bento, dizem que ficaro um mês sem pode senta e nem durmi di costa, ca coça qui levaro.

As cabeças dos ouvintes fizeram um movimento de aprovação ao castigo dado.

Ao fundo um acordeão “cantava”:
Quando olhei a terra ardendo, qual fogueira de São João...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Era uma vez um gato xadrez

Ana Lucia Santos
Exercício a partir da frase: Era uma vez um gato xadrez...


Era manhoso e mimado como todo gato é. Só que esse não era gato e sim gata.

Nina, a gata, era tratada a pires de leite, embora só comesse ração.

E gato xadrez é força de expressão.

Nina era tricolor. Branca, cinza e amarela, do tipo rajada. As pontas das patas eram brancas e fofas, como patas de bichos de pelúcia.

Esgueirava-se e era mimada. Parecia saber disso e abusava.

Perseguia pequenos insetos com ares de caçadora. Dentro da casa.

Um dia, no seu tempo certo, resolveu se esgueirar para a vida noturna.

Sofreu, a gata que era mimada. Muitos obstáculos.

Olhava com seus olhos cor de mel pelos pequenos vãos em forma de losangos da rede da janela. Roçava-se, patas colocadas pelos vãos, não alcançava a mureta, nem o telhado. Nem os gatos da vida. Olhou ao redor, ouviu passos e ruídos de molho de chave.

-Eles vão sair, pensou (essa gata pensava).

Adiantou o passo, correu tentando alcançar a porta, era sua chance.

Pernas pelo caminho, obstáculos, a porta fechou, que sina!

Nina voltou desconsolada pra sua vida encolhida.

Pensou novamente (como eu disse, essa gata pensava):

- Como encontrar os gatos da rua.

Cabeça na janela, olho brilhando. Vidrado como bolas de gude.

Atenta para nova oportunidade, Roçava, miava, se esgueirava cada vez mais.

Cadê os donos da gata mimada? Que não quer mais a vida encolhida, quer vida de gata de rua?

Mais uma chance, a porta se abre, Nina corre. Pula arranha, alguém grita:

- Nina, pega a gata, fecha a porta!

Dessa vez não deu pros donos da gata. Nina, mais esperta, mais apertada pelos chamados da vida noturna, conseguiu sair.

Ganhou o mundo, ganhou a vida, diurna e noturna.

Na casa, um corre-corre, criança chorando, adultos tristes, dias passando, noites passando.

Longos miados noturnos na vizinhança.

Nina passeia na rua rebolativa, iluminada pelas luzes dos postes.

Luzes que mostram um bonito cartaz. Uma linda foto.

Gatinha rajada com as pontas das patas brancas e fofas, como um bichinho de pelúcia. Em baixo da foto os dizeres:

- Você viu esta gatinha? Criança doente. Damos recompensa!

Nina arregalou os olhos, que ficaram mais brilhantes e mais vidrados.

De repente, num salto e numa longa disparada, correu pra muito longe, pra longe da vida encolhida.

Na casa, a busca e a espera.

-Ela vai voltar, diziam. Os gatos sempre voltam pra casa.

Os dias passaram, as semanas passaram, os meses passaram. Nina, a gata mimada, não voltou. Na casa, a frase mudou.

- Que gata ingrata, não volta mais!

quarta-feira, 25 de março de 2009

ALBATROZ

Exercício conjunto

Suas asas são enormes. Geram vôos de longas distâncias para que eles saiam à procura do cardume de peixes para sua alimentação. O pequeno albatroz ainda não é capaz dessas jornadas. Então, aguarda no ninho pela volta dos pais que lhe trarão comida. Em vão. Nem pai nem mãe retornam. Nem no dia seguinte, e nem no outro. A pequena ave solitária, olhos inocentes, explora a floresta, não pensa que o inimigo pode estar por perto.

Assusta-se com uma sombra a seu lado. Pode ser o pai. Não tem asas. Enganou-se. É apenas uma árvore mais frondosa.

- É preciso se adaptar a qualquer circunstância... A vida é assim.

As palavras do pai martelam sua cabeça, fazendo com que a tristeza do pequeno albatroz aumente ainda mais. Mas ele percebe que não tem escolha. Sabe que precisa andar com suas próprias pernas para sobreviver. Que o futuro está em suas mãos e na coragem com que irá conduzir as intempéries da vida.

Descobre, então, uma força que desconhece. Tem vontade de se lançar, alçar vôos infinitos. Fecha os olhos, abre as asas, plana. Jamais sentira o pai tão perto de si como nesse momento.

- É preciso se adaptar a qualquer circunstância... A vida é assim.

Na primeira tentativa, por mais que se movimente, plana por pouco tempo e cai. Pensa no pai uma vez mais, no exemplo de seus vôos e recobra o ânimo, a confiança. Está pronto para uma nova tentativa.

Tenta uma vez mais. Cai. Segue-se nova tentativa. Até que o vôo se torna mais firme, mais longo. Sabe agora que pode cuidar de sua própria sobrevivência. Agiganta-se. Voa sobre o mar, àquela hora cheio de óleo. Não teme mais nada. Sua vida, naquele momento, não seria interrompida pela irresponsabilidade dos homens. Bate as asas com mais força, arremessa e sobe.

GATO XADREZ

Sergio Teles Fernandes Lopes
Exercício a partir da frase: Era uma vez um gato xadrez...

Carnaval, feriado prolongado a vista.

Estica daqui, emenda dali e como um jogo de xadrez, consegui um cheque mate: sete dias corridos de folga. Não pensem que foi fácil, tive que contar com a “camaradagem” de um colega de trabalho que se prontificou a me substituir nesses dias. Quando ele precisasse, eu retribuiria o favor!

Fazia tempo que não tirava tantos dias fora das férias só para mim. Decidi aproveitar ao máximo indo para o Interior, para a chácara de meu irmão e assim curtir a natureza e tudo que ela nos traz de bom, como a tranqüilidade, coisa tão difícil nos centros urbanos.

Minha primeira dificuldade: arrumar a mala. O que levar? Eu pouco viajava e já iam bem uns anos que eu não a via. Bem pensado, onde a mala estaria? Remexi meu closet e sob cobertores a encontrei. Vencido esse obstáculo, fui colocando dentro tudo que eu acreditava ser necessário: meias, cuecas, bermudas, etc. Antes que eu esqueça, coloquei um casaco leve, afinal de contas, mesmo estando em pleno verão, a temperatura poderia cair um pouco. Coloquei também produtos para minha higiene pessoal, porém, aparelho de barba nem pensar, deixaria a pele descansar.

Como não poderia deixar de ser na bagagem de um executivo, mesmo de férias, não faltaria meu MP5 e o notebook, meus fiéis companheiros, lembrando, é claro, que ambos são o que há de mais moderno no mercado - meu note é fantástico, me conecta com o mundo mantendo-me informado sobre tudo o que está acontecendo. Como garantia, comprei duas baterias reservas, estando eu livre de qualquer problema de falta de energia que pudesse ocorrer.

Tudo pronto e checado, era hora de partir. Graças ao compromisso firmado na empresa com meu “bem-feitor”, quinta-feira, no primeiro horário, eu já estava na estrada, sentindo-me um privilegiado. Nada de trânsito, eu guiava tranqüilo só imaginando como a estrada estaria na sexta-feira, véspera do Carnaval, certamente caótica.

Antes do meio-dia, já guardava meu carro na garagem de onde só o tiraria dali uma semana. Desci do carro, estiquei as pernas e os braços num alongamento perfeito! Aspirei com vontade aquele cheiro de grama cortada, inflando meus pulmões com o ar puro, típico do interior. Que delicia!

Abraços e beijinhos, instalei-me no quarto. Joguei a mala sobre a cama e fui logo procurando uma tomada para ligar meu computador e me atualizar sobre os últimos acontecimentos.
- Paulo, Paulo... – era minha cunhada chamando – Vem tomar um cafezinho passado agora.
Café e pão de queijo. Quer combinação melhor depois de uma estrada?

Batemos um papo rápido e voltei logo ao quarto pra colocar uma sunga e curtir a piscina, mas não sem antes dar uma nova espiadinha, vai que chegou algum e-mail.

Novamente fui interrompido...

- Você não vem? O sol tá gostoso...
- Já estou indo! Respondi meio que invocado.

E assim, quando dei por mim, já eram três da tarde e o almoço ia ser servido. Sabe como é, uma noticia aqui, uma informação ali, a bolsa, a crise econômica...

E assim foram meus dias até sábado, não diferentes dos vividos na metrópole. Ficava vidrado na tela do meu notebook e minhas frases, melhor ainda, minha frase, tornou-se um jargão – Já estou indo, só mais um pouquinho. Minha cunhada já havia desistido.

No domingo, o dia amanheceu radiante e após um café reforçado, o pessoal da casa foi dar uma caminhada em um parque próximo, como de costume.

- Vamos também, Paulo?
- Já estou indo... Alcanço vocês.

Mal saíram e eu já estava sentado à frente do computador. Abri meus e-mails, começando primeiro com os do trabalho, onde meu “bem feitor” avisava que tudo correra bem. Depois, os dos amigos, como sempre com muitas correntes, mensagens, ofertas, propagandas, uma coisa ou outra. Entre eles, um chamou-me a atenção. No assunto, o titulo “gato xadrez” vindo de um endereço conhecido que fui logo abrindo.

Na tela apareceu o desenho de um gato gordo com o pelo xadrez em preto e branco lembrando um tabuleiro, não é que o danado era simpático? Com um sorriso cínico, ele piscava o olho esquerdo, levando-me a rir. Porém, meu sorriso logo foi desaparecendo ao observar que cada quadradinho do xadrez de seu pelo começava a escorregar pelos lados da tela até que ele sumiu totalmente, dando lugar à mensagem: Não fique triste, afinal gato xadrez não existe.

Um frio correu minha espinha e quase fui tomado de pânico ao descobrir que a memória de meu computador tinha sido destruída - minha sorte é que, como bom internauta, sempre faço back-up. O gato xadrez não era nada mais nada menos do que um vírus novo, poderoso.

E lá estava eu, naquele lugar, sem computador, sem conexão com o mundo.

Meus familiares, ao voltarem da caminhada, se depararam comigo de mau humor mas, conversa vai, conversa vem, fiquei sabendo das fofocas de família num descontraído bate papo. Quando minha cunhada anunciou o almoço, eu já estava mais conformado. Para surpresa de todos e sem que eu precisasse ser chamado, já estava me refrescando na piscina, olhando as montanhas à volta e respirando aquele ar puro, inconfundível.

À noite pude observar o céu. Que maravilha, era incomparável, parecia um tapete de estrelas que só podiam ser vistas lá no Interior, pois o manto da poluição e iluminação das grandes cidades esconde esta maravilha.

E assim seguiram os dias.

Aproveitei para ler o livro que ganhei no Natal e que ainda estava no embrulho da livraria. Pouco antes de retornar à cidade, eu era outro. Sentia-me mais leve, integrado àquela paisagem, à natureza, estava renovado! Indiretamente, o que a principio me parecia ser o caos, havia se tornado um beneficio, afinal, o gato xadrez, pelo menos naqueles dias, permitiu-me estar mais ligado à minha família. Hoje agradeço ao gato xadrez que, embora não existindo, fez com que eu redescobrisse a existência de coisas mais importantes do que um computador ou a rede como, por exemplo, minha família!
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terça-feira, 24 de março de 2009

O conto do gato

Fabiana Prando
Exercício a partir da frase: Era uma vez um gato xadrez...

Era uma vez um gato xadrez que era amigo do gato de boina e primo da gata de luvas que era apaixonada pelo gato de botas que me contou esta história...

Certa vez, o tal gato xadrez pulou a janela e... Imagine você o que foi que ele fez... Engoliu um vaga-lume e ficou pirilampiando por um mês.

- Miau!!! Uuuaaau!!!!! Miiiaaauu!!!!! Fazia o bichano coral, aclamando a novidade daquele gato mais que original. Até a Lua admirou a vagalumeante pirotecnia xadrez . Mas foi só uma vez...

De outra lembrei, continuou o gato nas suas botas... Já faz tempo, era um baile de gala no Clube Escocês. Convidados não foram, mas compareceram os três: gato de boina, gata de luvas e o xadrez. O grupo chegou discreto, pra não abusar da sorte, foi quando surgiu um velho dançando no seu saiote, pisou no rabo do gato que sumiu, deu um pinote.

Uma xadrez figura riscou o céu. Silêncio no salão. Será foguete, um pássaro ou avião? Mas olha quanta bobagem, gritou a Conceição. Vocês estão sob o efeito de uma alucinação, o uísque dessa festa veio da Escócia, capital: Assunção!

E a melhor aventura, continuou meu narrador, coçando os felinos bigodes, aconteceu quando... opa! Cadê minhas botas de sete léguas? Desesperada, gritei: Espere, volte aqui, o que aconteceu dessa vez com o gato xadrez?Mas o gato de botas já não mais me ouvia... Ele entrou por uma porta e saiu pela outra e quem quiser que conte outra...

segunda-feira, 16 de março de 2009

MAIS DICAS

LABORATÓRIO DO ESCRITOR
AULA DE 14.03.2009
ORIENTADORA: ELIANA PACE

CONTO VS CRÕNICA

· A crônica é um comentário sobre um acontecimento real, preferencialmente diário.
· É o acontecimento diário sob a visão criativa do escritor.
· Quando a crônica entra no terreno do imaginário, vira conto.

O CONTO

· O conto é um relâmpago na vida dos personagens. É como uma fotografia que extrapola da moldura. É um recorte, um fragmento da realidade.
· No conto, não importa muito nem o passado, nem o futuro dos personagens.
· É uma narrativa imaginária que envolve fantasia. Narrativa real é a que envolve biografias, ensaios, textos históricos, grandes reportagens.
· São pequenas histórias que relatam e narram uma história verídica ou lenda.
· É uma narrativa pequena que vai direto ao assunto.
· O conto contém apenas um único drama, um só conflito. Esse drama único pode ser chamado de "célula dramática".
· O escritor Milton Hatoun, romancista premiado, que acaba de lançar seu primeiro livro de contos - A CIDADE ILHADA - diz que o conto deve ser breve e denso.
· Há um caminho para começar a escrever: idéia, sinopse. Toda história implica em uma estrutura.
· O conto deve ter uma unidade de tempo, espaço e ação.
· O conto possui= Uma ação /Um lugar /Um tempo /Um tom.
· O conto clássico tem princípio, meio e fim. Um conto robusto pode ter cerca de 100 linhas e no máximo 200 linhas.
· Tchecov, o grande escritor russo, dizia que ao escrever um conto, o escritor deve suprimir o começo e o fim e ficar com o miolo.

IMPORTANTE

· Todos somos contadores de histórias. A diferença é que nós vamos usar como instrumento a narrativa impressa, o registro inscrito.
· Cada contador tem um jeito de escrever. Há os que ficam possuídos e há o artesão, que borda um texto, refaz. Cada um vai descobrir o seu caminho, mas o processo de escrita é doloroso sempre.

CONTISTAS:

· Julio Cortazar
· Jorge Luiz Borges
· Clarice Lispector
· Machado de Assis
· Tchecov