Fabiana Prando
Estava sonolenta no banco do passageiro do carro quando ouvi a notícia da morte súbita do ídolo pop. Michael Jackson, morto!? Sonho? Brincadeira? Sensacionalismo?
Verdade...Uma enxurrada de imagens, depoimentos e especulações desaba ao som de inesquecíveis canções... Gênio ou monstro? Qual o veredito final?
Fecho os olhos para o espetáculo e escuto um acorde há muito guardado em mim: “We are the world, we are the children...” Penso nas crianças, não naquelas das manchetes, envolvidas em suspeitas e indenizações, mas na criança que ele não foi...
Menino sem tempo para meninices, brilho lapidado à exaustão. Na Terra do Nunca, a inspiração para viver uma infância sem fim. E a vida, surpreendendo a ficção, transformou o ideal de Peter Pan num Pinóquio invertido.
Do sonho de Gepetto, o boneco de madeira virou menino de verdade. Da ambição de Joseph Jackson, o menino de verdade virou um boneco... Assistimos à morte em vida, ao talento ofuscado pelo bizarro. O humano pereceu... Uma história sem final feliz?
Não me rendo ao pessimismo, sou incapaz de matar a esperança que impulsiona meu ser. Escrevo para acender naquele que lê a chama da indignação, para que a história não se repita, para que não nos esqueçamos de quem realmente somos: humanos para sempre!
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terça-feira, 7 de julho de 2009
O ESTRANHO CASO DA PAÇOCA
Fabiana Prando
Muita gente não imagina
quanta história cabe escondida
no interior de uma paçoquinha...
Seja ela redonda ou até mesmo quadradinha,
o fato é que todas guardam um segredo,
um mexerico, uma fofoquinha...
O que vou contar há muito tempo aconteceu
o caso se passou
com o primo do vizinho de um amigo meu:
João Calixto de Oliveira Brito dos Santos Abreu.
Pelo tamanho do nome já revelo a distinção.
A família do moço era fina, gente de tradição.
Seus parentes mais distantes chegaram ao Brasil com a corte de D. João.
Vamos aos fatos, é finda a introdução.
Se me demoro dando voltas, o leitor perde a atenção.
E sem leitor não existe vida, a palavra jaz escrita...
Prossigamos, meus amigos, que a história é bem bonita!
João entrara na mocidade e nutria um amor desmedido pela Maroca, filha mais nova do prefeito da cidade.
Apesar da nobre origem, ora veja,
vendia doces num carrinho, na pracinha da igreja.
“Joca do doce” era conhecido por toda a redondeza.
E adivinhe só quem era a sua melhor freguesa?
Não, não era a Maroca, era a Dona Teresa.
A bela viúva comprava todos os dias, não vivia sem sobremesa.
De amarga já basta a vida, disso eu tenho certeza!
Repetia o seu bordão enquanto abastecia a farta cesta com
quindim
olho de sogra
pé-de-moleque
brigadeiro
arroz doce
canjiquinha
torta de morango
maria-mole
E um regalo para a afilhadinha,
seu doce favorito, paçoquinha!
E o nome da afilhada quero ver quem adivinha!
Maria Carolina Loureiro Barbosa, para a dinda, Maroquinha.
Teresa tinha a menina como uma filha de hora tardia,
era excessiva em seus carinhos e a mimava todos os dias.
Gulosa por natureza, tal qual a bruxa de João e Maria,
a menina para ela era um quitute.
Divertia-se beliscando suas bochechas e fazendo cóceguinhas, chamava-a de Maroca paçoca, Maroquinha paçoquinha!
E para selar o encontro da menina com o doce de amendoim,
inventou um ritual, uma tradição pra não ter mais fim.
Todos os dias às cinco horas, na janela do quarto da Maroca, depositava um pequeno pacote, com um lacinho vermelho de fora e, surpresa, paçoca.
E assim, bem cultivado, cresceu o amor da garotinha pela madrinha e pelo doce enviado.
Dezessete anos da diurna tradição criaram uma novidade,
mais que preferência, uma necessidade...
Paçoca era o doce de estimação da menina.
O doceiro Joca queria um lugar no coração de Maroca,
não se importava em dividir o espaço com o amor pela paçoca.
De repente, pronto!
Eureka, saída encontrada!
A delícia de amendoim seria sua aliada!
Num papelzinho de seda as palavras foram desenhadas:
“Mais doce que a paçoquinha são os beijos
de quem muito te admira,
adivinha!!!”
Deitados os versinhos no papel, embrulhou a iguaria e esperando a freguesa fiel, os minutos pareciam horas.
Esperar, ofício cruel...
Dona Teresa chega afinal,
acompanhada por duas amigas,
parece mais faminta que o normal.
Com olhos apetitosos abarrota sua cesta com as guloseimas do carrinho e Joca, todo contente, vai fazendo os pacotinhos.
Não esqueça Dona Teresa,
da paçoca da sua afilhada!
Lembrou o rapaz como quem não quer nada.
Quanta gentileza,
eu não ia esquecer,
com toda a certeza!
Hoje estou com um apetite de primeira grandeza!!!
Assim que a freguesa partiu,
Joca encerrou as atividades e correu para sua casa a fim de arrematar a sua engenhosidade.
Banho tomado, todo perfumado, estava um pão, como se falava então.
Ficou espreitando embaixo da janela da amada,
sonhava que ela,
tendo lido o bilhetinho,
procuraria o autor apaixonado.
Que nada, nem sinal da Maroquinha,
mas quem é essa que na direção dele caminha?
Maroca não é com certeza,
rebolativa se aproxima a dama,
vestida de vermelho e preto,
os braços longos se enlaçam no pescoço do rapaz.
Dona Teresa, disse espantado.
Sou eu mesma, e quem mais?
Vim beber seus beijos açucarados!
Não teve tempo de reagir, ficou ali, paralisado... Caiu na teia da viúva, foi devorado...
Muita gente não imagina
quanta história cabe escondida
no interior de uma paçoquinha...
Seja ela redonda ou até mesmo quadradinha,
o fato é que todas guardam um segredo,
um mexerico, uma fofoquinha...
O que vou contar há muito tempo aconteceu
o caso se passou
com o primo do vizinho de um amigo meu:
João Calixto de Oliveira Brito dos Santos Abreu.
Pelo tamanho do nome já revelo a distinção.
A família do moço era fina, gente de tradição.
Seus parentes mais distantes chegaram ao Brasil com a corte de D. João.
Vamos aos fatos, é finda a introdução.
Se me demoro dando voltas, o leitor perde a atenção.
E sem leitor não existe vida, a palavra jaz escrita...
Prossigamos, meus amigos, que a história é bem bonita!
João entrara na mocidade e nutria um amor desmedido pela Maroca, filha mais nova do prefeito da cidade.
Apesar da nobre origem, ora veja,
vendia doces num carrinho, na pracinha da igreja.
“Joca do doce” era conhecido por toda a redondeza.
E adivinhe só quem era a sua melhor freguesa?
Não, não era a Maroca, era a Dona Teresa.
A bela viúva comprava todos os dias, não vivia sem sobremesa.
De amarga já basta a vida, disso eu tenho certeza!
Repetia o seu bordão enquanto abastecia a farta cesta com
quindim
olho de sogra
pé-de-moleque
brigadeiro
arroz doce
canjiquinha
torta de morango
maria-mole
E um regalo para a afilhadinha,
seu doce favorito, paçoquinha!
E o nome da afilhada quero ver quem adivinha!
Maria Carolina Loureiro Barbosa, para a dinda, Maroquinha.
Teresa tinha a menina como uma filha de hora tardia,
era excessiva em seus carinhos e a mimava todos os dias.
Gulosa por natureza, tal qual a bruxa de João e Maria,
a menina para ela era um quitute.
Divertia-se beliscando suas bochechas e fazendo cóceguinhas, chamava-a de Maroca paçoca, Maroquinha paçoquinha!
E para selar o encontro da menina com o doce de amendoim,
inventou um ritual, uma tradição pra não ter mais fim.
Todos os dias às cinco horas, na janela do quarto da Maroca, depositava um pequeno pacote, com um lacinho vermelho de fora e, surpresa, paçoca.
E assim, bem cultivado, cresceu o amor da garotinha pela madrinha e pelo doce enviado.
Dezessete anos da diurna tradição criaram uma novidade,
mais que preferência, uma necessidade...
Paçoca era o doce de estimação da menina.
O doceiro Joca queria um lugar no coração de Maroca,
não se importava em dividir o espaço com o amor pela paçoca.
De repente, pronto!
Eureka, saída encontrada!
A delícia de amendoim seria sua aliada!
Num papelzinho de seda as palavras foram desenhadas:
“Mais doce que a paçoquinha são os beijos
de quem muito te admira,
adivinha!!!”
Deitados os versinhos no papel, embrulhou a iguaria e esperando a freguesa fiel, os minutos pareciam horas.
Esperar, ofício cruel...
Dona Teresa chega afinal,
acompanhada por duas amigas,
parece mais faminta que o normal.
Com olhos apetitosos abarrota sua cesta com as guloseimas do carrinho e Joca, todo contente, vai fazendo os pacotinhos.
Não esqueça Dona Teresa,
da paçoca da sua afilhada!
Lembrou o rapaz como quem não quer nada.
Quanta gentileza,
eu não ia esquecer,
com toda a certeza!
Hoje estou com um apetite de primeira grandeza!!!
Assim que a freguesa partiu,
Joca encerrou as atividades e correu para sua casa a fim de arrematar a sua engenhosidade.
Banho tomado, todo perfumado, estava um pão, como se falava então.
Ficou espreitando embaixo da janela da amada,
sonhava que ela,
tendo lido o bilhetinho,
procuraria o autor apaixonado.
Que nada, nem sinal da Maroquinha,
mas quem é essa que na direção dele caminha?
Maroca não é com certeza,
rebolativa se aproxima a dama,
vestida de vermelho e preto,
os braços longos se enlaçam no pescoço do rapaz.
Dona Teresa, disse espantado.
Sou eu mesma, e quem mais?
Vim beber seus beijos açucarados!
Não teve tempo de reagir, ficou ali, paralisado... Caiu na teia da viúva, foi devorado...
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terça-feira, 24 de março de 2009
O conto do gato
Fabiana Prando
Exercício a partir da frase: Era uma vez um gato xadrez...
Era uma vez um gato xadrez que era amigo do gato de boina e primo da gata de luvas que era apaixonada pelo gato de botas que me contou esta história...
Certa vez, o tal gato xadrez pulou a janela e... Imagine você o que foi que ele fez... Engoliu um vaga-lume e ficou pirilampiando por um mês.
- Miau!!! Uuuaaau!!!!! Miiiaaauu!!!!! Fazia o bichano coral, aclamando a novidade daquele gato mais que original. Até a Lua admirou a vagalumeante pirotecnia xadrez . Mas foi só uma vez...
De outra lembrei, continuou o gato nas suas botas... Já faz tempo, era um baile de gala no Clube Escocês. Convidados não foram, mas compareceram os três: gato de boina, gata de luvas e o xadrez. O grupo chegou discreto, pra não abusar da sorte, foi quando surgiu um velho dançando no seu saiote, pisou no rabo do gato que sumiu, deu um pinote.
Uma xadrez figura riscou o céu. Silêncio no salão. Será foguete, um pássaro ou avião? Mas olha quanta bobagem, gritou a Conceição. Vocês estão sob o efeito de uma alucinação, o uísque dessa festa veio da Escócia, capital: Assunção!
E a melhor aventura, continuou meu narrador, coçando os felinos bigodes, aconteceu quando... opa! Cadê minhas botas de sete léguas? Desesperada, gritei: Espere, volte aqui, o que aconteceu dessa vez com o gato xadrez?Mas o gato de botas já não mais me ouvia... Ele entrou por uma porta e saiu pela outra e quem quiser que conte outra...
Exercício a partir da frase: Era uma vez um gato xadrez...
Era uma vez um gato xadrez que era amigo do gato de boina e primo da gata de luvas que era apaixonada pelo gato de botas que me contou esta história...
Certa vez, o tal gato xadrez pulou a janela e... Imagine você o que foi que ele fez... Engoliu um vaga-lume e ficou pirilampiando por um mês.
- Miau!!! Uuuaaau!!!!! Miiiaaauu!!!!! Fazia o bichano coral, aclamando a novidade daquele gato mais que original. Até a Lua admirou a vagalumeante pirotecnia xadrez . Mas foi só uma vez...
De outra lembrei, continuou o gato nas suas botas... Já faz tempo, era um baile de gala no Clube Escocês. Convidados não foram, mas compareceram os três: gato de boina, gata de luvas e o xadrez. O grupo chegou discreto, pra não abusar da sorte, foi quando surgiu um velho dançando no seu saiote, pisou no rabo do gato que sumiu, deu um pinote.
Uma xadrez figura riscou o céu. Silêncio no salão. Será foguete, um pássaro ou avião? Mas olha quanta bobagem, gritou a Conceição. Vocês estão sob o efeito de uma alucinação, o uísque dessa festa veio da Escócia, capital: Assunção!
E a melhor aventura, continuou meu narrador, coçando os felinos bigodes, aconteceu quando... opa! Cadê minhas botas de sete léguas? Desesperada, gritei: Espere, volte aqui, o que aconteceu dessa vez com o gato xadrez?Mas o gato de botas já não mais me ouvia... Ele entrou por uma porta e saiu pela outra e quem quiser que conte outra...
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terça-feira, 17 de março de 2009
POMPOM
Por Fabiana Prando
Exercício com a palavra pompom
Pompom era uma cachorrinha linda, vira-lata autêntica, e levava uma boa vida de cachorro. Mas nem sempre foi assim...
Segunda filha de uma ninhada de oito, teve que batalhar muito para sobreviver. O leite da mãe era disputado a dentadas e as pulgas, generosamente partilhadas. Ah! O amor fraternal...
Ainda na primeira infância, abandonou a família e seguiu carreira solo. Você me pergunta:
- E cachorro é por acaso artista pra ter carreira solo?
E eu tranquilamente respondo:
- Sim! Poucos são capazes de realizar as artimanhas, piruetas e malabarismos daquela garota.
Ao contrário de seus semelhantes, que se esforçam para conquistar um dono alheio, Pompom sempre soube que era dona de seu próprio focinho. Apesar de colecionar vários amigos humanos, jamais delegou a nenhum deles a sua tutela. Uma cadela de alma felina!
Dona Guiomar era uma de suas companhias favoritas. Proprietária da bomboniére mais famosa da cidade, guardava sempre uma generosa fatia de bolo nega maluca para ela. Sua netinha Bianca, doida por chocolate e tatibitate assumida, foi quem batizou a cadelinha. Numa tarde, dividiram um sonho de valsa e a menina, toda lambuzada de chocolate, assim como sua companheira, perguntou:
- “Qué maisi pompom?”
A cachorra respondeu latindo e agitando o rabo frenéticamente e, a partir de então, todos passaram a chamá-la de Pompom.
Com o Augusto da livraria Quincas Borba, costumava fazer a sesta, nada melhor que o silêncio aconchegante dos livros para sonhar... Gostava também de observar o entra e sai das pessoas e muitas vezes escolhia o colo de alguém para se aconchegar nas tardes de contação de histórias. Vibrava com as aventuras do cachorrinho Samba e viajava com ele por florestas, fazendas e vales.
Certa vez, Pompom se apaixonou... Não, o caso não foi adiante não. Era daqueles amores fadados ao fracasso, uma paródia do gato malhado e a andorinha sinhá, uma de suas histórias mais queridas. Pompom se apaixonou por um pião de lata. O brinquedo era do Antônio, vizinho da Carmelita, e o menino no meio da rua emprestava vida ao objeto que bailava, assoviava, rodopiava e encantava Pompom, entregue àquele movimento com paixão. Sempre que o amado parava, ela latia e batia com a patinha na intenção de reanimá-lo. Todos os olhares acompanhavam o estranho balé da cachorrinha e do pião. Marco Antônio, poeta experimental, escreveu a esse respeito:
Amor, sentimento pião
Rodopia a vida da gente
Que amarga na desilusão...
Pompom não tinha essa visão corrompida da experiência amorosa. Para ela, o espetáculo colorido do pião valia à pena enquanto durasse, como tudo em sua livre e intensa vida.
Exercício com a palavra pompom
Pompom era uma cachorrinha linda, vira-lata autêntica, e levava uma boa vida de cachorro. Mas nem sempre foi assim...
Segunda filha de uma ninhada de oito, teve que batalhar muito para sobreviver. O leite da mãe era disputado a dentadas e as pulgas, generosamente partilhadas. Ah! O amor fraternal...
Ainda na primeira infância, abandonou a família e seguiu carreira solo. Você me pergunta:
- E cachorro é por acaso artista pra ter carreira solo?
E eu tranquilamente respondo:
- Sim! Poucos são capazes de realizar as artimanhas, piruetas e malabarismos daquela garota.
Ao contrário de seus semelhantes, que se esforçam para conquistar um dono alheio, Pompom sempre soube que era dona de seu próprio focinho. Apesar de colecionar vários amigos humanos, jamais delegou a nenhum deles a sua tutela. Uma cadela de alma felina!
Dona Guiomar era uma de suas companhias favoritas. Proprietária da bomboniére mais famosa da cidade, guardava sempre uma generosa fatia de bolo nega maluca para ela. Sua netinha Bianca, doida por chocolate e tatibitate assumida, foi quem batizou a cadelinha. Numa tarde, dividiram um sonho de valsa e a menina, toda lambuzada de chocolate, assim como sua companheira, perguntou:
- “Qué maisi pompom?”
A cachorra respondeu latindo e agitando o rabo frenéticamente e, a partir de então, todos passaram a chamá-la de Pompom.
Com o Augusto da livraria Quincas Borba, costumava fazer a sesta, nada melhor que o silêncio aconchegante dos livros para sonhar... Gostava também de observar o entra e sai das pessoas e muitas vezes escolhia o colo de alguém para se aconchegar nas tardes de contação de histórias. Vibrava com as aventuras do cachorrinho Samba e viajava com ele por florestas, fazendas e vales.
Certa vez, Pompom se apaixonou... Não, o caso não foi adiante não. Era daqueles amores fadados ao fracasso, uma paródia do gato malhado e a andorinha sinhá, uma de suas histórias mais queridas. Pompom se apaixonou por um pião de lata. O brinquedo era do Antônio, vizinho da Carmelita, e o menino no meio da rua emprestava vida ao objeto que bailava, assoviava, rodopiava e encantava Pompom, entregue àquele movimento com paixão. Sempre que o amado parava, ela latia e batia com a patinha na intenção de reanimá-lo. Todos os olhares acompanhavam o estranho balé da cachorrinha e do pião. Marco Antônio, poeta experimental, escreveu a esse respeito:
Amor, sentimento pião
Rodopia a vida da gente
Que amarga na desilusão...
Pompom não tinha essa visão corrompida da experiência amorosa. Para ela, o espetáculo colorido do pião valia à pena enquanto durasse, como tudo em sua livre e intensa vida.
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