sábado, 21 de novembro de 2009
MADAME NORA: RUNAS E TAROT
- Você prefere o jogo de uma ou três runas?
- Como assim?
- Se quiser jogar com três runas, teremos respostas para seu passado, presente e futuro
Não sabia bem se queria mesmo saber do futuro. Do passado não queria lembrar. E o presente era vivo demais. Mas resolveu:
- Vai mesmo o jogo com três...
A mulher deu inicio ao jogo. A ansiedade começou a tomar conta daquele homem. Viera depois de muitas hesitações e jurara jamais contar a ninguém sobre sua visita a uma vidente...
Pensou, isso é coisa de mulher. E por segundos quis ordenar a paragem do tempo e a leitura do futuro. Tarde demais, a primeira runa já estava sobre a mesa. Seguiram-se mais duas. A expressão daquela mulher correspondia às inscrições das pedras: era enigmática...
Continuava arrependido e relutante. Não sabia se deveria manter a postura cética ou ter nuances de esperança e tentar adivinhar as expressões no rosto daquela enigmática mulher.
A vidente ficou alguns instantes quieta, apreensiva, olhou-o nos olhos e disse preocupada:
- Sei não...
- O que?
- Posso falar? Estou vendo que algo de muito estranho vai acontecer. Tome muito cuidado com sua saúde.,
Não teve ouvidos para escutar mais nada. Uma dor aguda no peito, os olhos turvos, o corpo desabando pesado no chão. A uútima visão era a da esposa, excitada...
- Marquei uma hora pra você com Madame Nora. Você vai gostar das previsões dela...
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
“Bendito maldito”, a biografia de Plínio Marcos no Teatro Guarany
*
“Quinhentas páginas de um livro híbrido que vibra nas mãos de quem o lê, tal a vertiginosidade dos fatos encadeados, pesquisados à exaustão, que nos revelam seis décadas da trajetória do cometa Plínio Marcos. Plínio Marcos, ele mesmo, o tempo todo, como se autodefiniu. A obra ciclópica de Oswaldo Mendes é dividida em atos e cenas como se espetáculo teatral fosse, eivada de flashbacks e zooms próprios do cinema, esclarecidos nos seus vaivéns pela rigorosa Linha do tempo que situa historicamente fatos e datas de mais de meio século. Oswaldo mergulha no cipoal de relatos, memórias e emoções com o ímpeto de um trem em movimento.”
Assim a crítica teatral Ilka Marinho Zanotto inicia o seu prefácio a Bendito maldito – Uma biografia de Plínio Marcos, de Oswaldo Mendes, que a Editora Leya acaba de lançar. A biografia chega à livrarias coincidindo com os 50 anos da estreia de Barrela, a primeira peça de Plínio Marcos, que em 1º de novembro de 1959 fez uma única apresentação em Santos, sendo proibida em seguida. Também coincide com os dez anos da morte do dramaturgo, em 19 de novembro de 1999. O título Bendito maldito foi sugerido pelo editor Quartim de Moraes, que há nove anos propôs a Oswaldo Mendes, com o apoio da família de Plínio, que escrevesse a biografia do amigo com quem conviveu desde 1969 no teatro e na imprensa.
“Adiei o mais que pude o trabalho porque não queria escrever movido pelo tributo à amizade”, diz Oswaldo Mendes. “Atendendo ao que o Plínio exigiria, eu não queria agir feito Poliana, oferecendo o retrato pacificado de uma personagem complexa e guerreira como ele. A vida de Plínio é uma grande narrativa dramática, que vai da política ao teatro passando pela música, o futebol, a repressão, a imprensa, o tarô, a televisão, a religiosidade. Daí a opção de dividi-la em três atos, com respectivas linhas do tempo, na esperança de ajudar o leitor, principalmente o das novas e futuras gerações, a seguir a trajetória do personagem e compreender as circunstâncias que determinaram a sua ação. Embora o título sugira uma contradição adjetiva, Bendito maldito, procurei substantivar a narrativa, cúmplice do próprio Plínio que pedia para não lhe pregarem rótulos.”
OSWALDO MENDES
Nascido em Marília (SP) em 19 de setembro de 1946, atua no teatro e na imprensa de São Paulo desde 1969. Ator, diretor e dramaturgo, formou-se pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Jornalista de 1969 a 1992, dirigiu o jornal Última Hora (SP), foi editor do suplemento Folhetim e sub-secretário de redação da Folha de S. Paulo, editor de Cultura da revista Visão e foi um dos fundadores da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA. Livros publicados: Getúlio Vargas, uma biografia (Editora Moderna, 1984), Ademar Guerra: O teatro de um homem só (Editora Senac, 1997), indicado para o prêmio Shell, e Teatro e Circunstância (Editora Núcleo, 2005), que reúne três de suas peças já encenadas – Um tiro no coração (1984), Voltaire – Deus me livre e guarde (1998, prêmio Mambembe da Funarte) e A dança do universo (2005). Autor de ensaios biográficos de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Ayrton Senna, e da história da Bossa Nova, para a coleção Anotações com Arte.
Como ator estreou em Missa Leiga de Chico de Assis, direção de Ademar Guerra, em 1972, e integra desde 2001 a companhia Arte Ciência no Palco - www.arteciencianopalco.com.br - onde atuou nas peças Copenhagen, A dança do universo, E agora, sr. Feynman?, Quebrando códigos, After Darwn, Oxigênio e Perdida – Uma comédia quântica, pela qual foi indicado ao prêmio Shell de melhor ator em 2002. Dirigiu, entre outros espetáculos: Brecht Segundo Brecht com Armando Bogus, São Paulo Brasil com César Camargo Mariano, Essa mulher com Elis Regina, Sinal de vida de Lauro César Muniz com Antonio Fagundes e Francisco Milani e Natal na praça com Etty Fraser.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
O ÚLTIMO DRINK
Sob o clima quente caribenho, Perez não se queixa do calor, sozinho em uma das mesas externas do Tropicana´s Bar, em plena Avenida Malecon, ponto de encontro de turistas e moradores de Havana.
Mesmo com o terno cinza e a gravata de linho em forma de serpente cruel em qualquer pescoço latino-americano, o que mais o incomoda é a missão daquela manhã. É o primeiro dia de janeiro de 1959 e com o sono atrasado devido à festa de final de ano, aguarda ser abordado por um estranho em mais uma incumbência oficiosa do seu serviço perigoso.
Ser agente secreto traz características excitantes e românticas, baseadas nos roteiros de cinema, mas não passa de fonte inesgotável de insegurança pessoal por não poder confiar em ninguém. Ser espião é ter o dom de transformar labuta em fel entre festas, trincheiras, mentiras e disfarces.
- Garçonete, mais um daiquiri, por favor.
A expectativa do encontro com o informante dos guerrilheiros escondidos nas florestas de Sierra Madre faz com que o corpo multiplique o suor na testa de Perez em gotas persistentes. E não são nem 11 horas da manhã.
A atendente, em inglês de péssima pronúncia em contrapartida à sua estonteante beleza trigueira, deixa o daiquiri à sua frente, além do sorriso branco imenso em troca da gorjeta. O dólar sai do paletó rapidamente. Ele olha para o copo e já pede outro. Aquele drink não daria nem para o começo. Ela some dentro do bar como num passe de mágica.
Ser cubano e compartilhar as idéias do perpétuo ditador Fulgêncio Batista, desde a década de 40 no cargo através de diversos golpes de estado, é viver no fio da navalha. A prostituição, a corrupção e as negociatas com os Estados Unidos caracterizaram o presidente como inimigo número um do povo. Os poderosos fizeram de Cuba o quintal do perverso capitalismo e um país fragilizado. Pior que isso, é ser agente duplo no complicado trânsito de informações secretas do governo e dos rebeldes. Perez estava cansado de viver assim.
O sol, forte e poderoso avança no céu, içando a angústia da espera.
De repente, um vulto na cadeira ao lado, disfarçado sob um chapéu de palha de aba larga. Não é possível descobrir se é cubano, ianque, jovem ou velho, até mesmo homem ou mulher.
Tenta olhar o rosto do recém-chegado denotando discrição, mas lembra do objetivo da missão: trocar as palavras-chave, pegar o envelope e partir de imediato, sem riscos tangíveis.
A primeira senha é dele. Arrisca as palavras em um fôlego só:
- Cuando calienta el sol, hasta la playa.
A resposta vem em forma de perguntas curtas:
- Te gusta Lola ? Te gusta Carmen ?
A voz é forçada. Um som feminino rouco simulando o sexo oposto.
Ele continua com as senhas de segurança:
- Me gustan todas. Ô, como me gustan, ô, ô, ô.
O contato responde implacável:
- Ai caramba, madrecita.
Pronto. O reconhecimento está feito e a transação precisa ser finalizada. O envelope pardo troca de mãos. Perez, aliviado, esvazia o copo em um único gole e lembra da formosa garçonete. Será que ela demora com o segundo daiquiri?
Repara que o vulto de chapéu nada discreto permanece ao seu lado. Isso não estava previsto.
A voz quase conhecida, agora totalmente solta e sensual, convida-o:
- Toma um mojito comigo ?
Que senha nova é aquela? Perez descobre no perfil revelado a garçonete sumida. Ela é o contato da missão quase suicida. A agradável surpresa suscita a dúvida para um profissional tarimbado como ele: e se for uma isca? Começa a suar de verdade enquanto a beleza indiscutível da morena cinge suas veias. A razão, senhora absoluta nos momentos instáveis, esvai-se entre os capítulos de regras que reza a cartilha de espionagem mundial.
- Você quer ou não quer o meu mojito, Perez ?
Ele hesita um pouco, cai na real e olha para os lados, preocupado com os transeuntes. Resignado, aceita com um sinal de cabeça mas pergunta em seguida:
- Mas quem vai servir a gente, Rúbia, se está dando o inusitado prazer de estar ao meu lado nesse momento? Até quando você poderá permanecer comigo? Na verdade, o que me aflige é a incerteza de como vamos viver a partir de agora...Neste momento, o nosso traiçoeiro presidente Batista foge para os Estados Unidos, com as malas cheias de dólar. Fidel e seus companheiros estão tomando Havana por uma Cuba melhor. E nós? O que vamos fazer?
- Perez, querido, somos responsáveis pelos nossos destinos. Não pretendo me esconder mais. Quero ser abraçada do amanhecer ao por do sol. Mas preciso dos seus braços junto a mim. Se vou largar minhas aflições, quero que abandone as suas preocupações também. Viva mais. Solte-se no ritmo da alma. Quero bailar contigo o ano inteiro, a vida toda.
Final 1
Os olhos dele revelam a emoção e o peito não se contem:
- Você tem razão. Me ensine o mambo.
Perez se aproxima de Rúbia para o primeiro beijo público de suas vidas. Antes que os lábios se toquem, um estampido de rifle AK-47 anuncia a trajetória da bala, vinda da janela do 3º andar do prédio em frente ao Tropicana´s Bar. O belo rosto da mulher bate inerte contra a mesa. Antes que ele a socorra ou descubra de que lado veio o inoportuno golpe, outro estampido da arma russa se faz ouvir entre os gritos na multidão.
Final 2
Os olhos dele revelam a emoção e o peito não se contem:
- Você tem razão. Me ensine o mambo.
O envelope abandonado sob a mesa é pisoteado pelas botas dos homens liderados por Guevara. Por instantes, o ritmo da bela ilha caribenha mistura doses calientes de democracia e utopia. A praia de Varadero testemunha ao longe as pegadas soltas de Rúbia e Perez revolucionadas para sempre a partir de uma manhã de ano novo.
O ESCONDERIJO DA ALMA
Acordou cedo, dirigiu centenas de quilômetros, mochila nas costas, água, barras de cereal, luvas, capacete, disposição e desprendimento. Sentada ali, à porta da caverna, o silêncio total era o antídoto dos males urbanos deixados à distância.
Distância era modo de dizer, pois ela fugira para esse local com intuito de se esconder, de parar de pensar no que a atormentava. Tinha tentado outras formas de cura nesses três meses de agonia. Horas extras no trabalho, muitas taças do vinho preferido, um novo guarda-roupa. Em vão.
Pensava na solidão como terapia. Respirou fundo e começou a entrar na caverna. A cada passo, a escuridão aumentava como se estivesse em seu próprio interior, negro, gélido. Mas uma paz ainda desconhecida começou a invadi-la. O silencio e a solidão pareciam grandes companheiros, os únicos que a compreendiam.
Levava na mochila “A Caverna” de Platão. Precisava lidar com suas sombras e medos. Mas ali, naquela caverna, sentia a falta da luz. Estava entregue a si mesma. Era isto que procurava, o derradeiro encontro a partir do qual daria o grande salto.
Caminhou para o infinito breu até a água terminar, a bússola quebrar e sob a luz artificial, sentou e leu o livro, até a bateria acabar.
E foi assim que ela nunca mais saiu de lá.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
SOLIDÃO
Nunca ouvi um Bom dia! Boa tarde! Ou Boa noite! Tinha sempre uma frase, uma história, um acontecimento.
─ Olá Mário, bom dia.
─ Rapaz, tava até agora na Receita Federal, só atendem quinta-feira, tenho que chegar às sete horas e pegar uma senha, depois esperar até ser atendido.
Se estava chovendo, falava da chuva; se estava sol, era o motivo do papo. Por mais cedo que chegasse ao prédio, a porta de ferro já estava aberta ─ O Mário já chegou! Encontrava-o conversando com o senhor da banca. No bar da esquina, tomava uma cervejinha no final do dia. Mas não era exclusivo deste. Variava sempre, cada hora em algum barzinho diferente, sempre sorrindo e contando “causos” e jogando conversa fora. Mas o bar não era seu cotidiano não. Conversava com o Chico do açougue, com o Zé do laticínio, com os motoristas de táxi do ponto da Senador. Era eclético, falava com todo mundo e sobre qualquer assunto. O sorriso fácil sempre estava em seu rosto. Seu escritório de contabilidade, imagino, lhe permitia uma vida financeira tranqüila complementando a aposentadoria. Por isso, quando o vizinho me mostrou o obituário, não acreditei:
─ O Mário não! Não pode ser. Uma pessoa como ele não poderia tomar uma atitude desta.
─ Parece que ele havia tentado antes. Depois da separação, ficou muito sozinho, os filhos, tinha um casal, não o procuraram mais. Proibiram-no até de ver o neto, companheiro para o jogos do Jabaquara e Portuguesinha. Eu o via trazendo uma quentinha para comer só, no escritório. Apesar de falante, sorridente, conversando com muita gente, era uma pessoa triste. Na hora do acidente, o maquinista até o viu, mas parar uma locomotiva em movimento não é uma tarefa de poucos metros.
Até hoje custo a acreditar, mas a solidão é um sentimento poderoso que leva as pessoas a cometer atos insanos como este do Mário.
UMA REUNIÃO DO COMITÊ
− Todo mundo recebeu a ata da última reunião?
Sim geral.
− O dinheiro do mês passado foi todo praquele menino da cadeira de rodas. Como não podemos dar dinheiro para pessoa física, conforme nosso estatuto, doamos através da entidade do Serrinha.
– Alguém tem notícias da Mariana filha da Célia?
− Ela ficou dois dias na UTI, mas já está bem e em casa.
– Todas vão ao baile de aniversário né?
Alguns sins.
− Nós não poderíamos...
− A verba deste mês, o que faremos com ela?
− A Sonia Costa lá da Oficina do Futuro perguntou das camisetas, é pro Natal não é?
– A reunião da Cassi vai ser aqui ou lá no escritório deles?
− Tem pouca gente indo, acho que vai ser lá!
− Só se for com o dinheiro de dezembro, por que o de novembro usaremos na festa das crianças.
− Acho que...
− A Casa Caio pediu ajuda para alimentos.
− O Lar dos Velhinhos tinha pedido fraldão e alguns remédios, tentei até com um médico amigo meu umas amostras grátis.
− Eu poderia ver com a Sonia...
− Não esqueçam o almoço da Associação dos Aposentados vai ser lá na sede da Cantareira, temos ônibus de graça. Vamos levar uma turma grande.
− Não é no mesmo dia da festa das crianças?
− Por falar em festa, a Juíza respondeu o ofício.
− Ela conseguiu alguma coisa?
− Sim, ela conseguiu patrocínio para os sanduíches, o bolo e as bebidas.
− Eu consegui...
− Célia, você fala com a mulher do algodão doce e da pipoca?
− Quando nós vamos comprar os brinquedos? Isabel, nós vamos com o seu carro que é bem maior, não?
− Sim. A gente podia ir no dia 15, quarta feira.
– Sueli, vamos fazer uma dupla pro campeonato de tranca?
− Eu já me inscrevi com a Rosa.
− Esse ano nós...
− A Jaci conseguiu falar com aquela mulher da entidade da Zona Noroeste?
− Sandra, nós já estamos no assunto da festa.
− Tá bom, desculpe.
− Vamos falar com o pessoal do Sonho de Criança, prá saber que apresentação eles vão fazer.
− Rosana, tu fala com o professor de Dança de Rua, eles são tão bons...
− Eu já havia comentado com ele, só está aguardando a confirmação da data.
− Então está tudo acertado! Vamos combinar durante a semana da festa a que horas vamos chegar para decorar a quadra.
− Toninho, você não quer falar nada?
− Sim, é um prazer muito grande fazer parte deste comitê como único homem no meio desta turma de mulheres. Eu tentei falar cinco vezes...
− Nossa, já é tarde, tenho que ir embora.
− Eu também, Célia me dá uma carona?
− Tchau meninas, a gente se vê na festa.
− Tchau...
− Tchau...
− Tchau...
COMEMORAÇÃO
Exercício coletivo
- Então, você vem ou não vem? Do outro lado da linha, uma pausa indefinida no tempo. Fiquei sem graça de perguntar mais uma vez e aguardei a resposta.
- Vou sim, pode me aguardar. E mantenha uma garrafa de champanhe no gelo. Temos mesmo o que comemorar.
A comemoração para atingir a plenitude como resultado satisfatório precisa ser boa para ambos.
- Você acha que realmente temos que comemorar?
- Eu acho!.
- Você sempre foi assim. Egoísta, individualista...
- Mas, agora, não sou mais assim, meu bem. Depois que te conheci, mudei muito, amadureci.
- Bem, isso é verdade. Mas ainda falta bastante pra ficar como eu gosto.
- Você nunca está contente!!!.
- Não é assim. Eu só quero atenção, atenção de olhar pra mim quando falo. Carinho, carinho de um beijo inesperado, um olhar afetuoso, uma rosa de vez em quando. Você acha que isso é ser muito exigente?
- E brindar aos nossos encontros e desencontros não conta? Uma vida inteira juntos, e a que preço...
- Você às vezes é gozado. Quando diz que eu ainda não sou como você gostaria me agride. Fica muito pouco para comemorar com esse jeito machista.
- Então não há o que comemorar?
- Para de brincadeirinha boba. Ninguém está brincando aqui.
Era o nosso jogo privado. Todo ano, na data do nosso aniversário de casamento, armávamos uma discussão para depois fazer as pazes. Com champanhe.